O apresentador de televisão Ratinho foi, recentemente, processado por uma Deputada Federal, sob a acusação de ser “transfóbico”. Posso estar enganado, mas fobia é um medo intenso, persistente e desproporcional diante de uma situação, objeto ou ambiente específico, que interfere na rotina, limita ações e causa sofrimento.
Ou seja, se o apresentador é mesmo “transfóbico”, era ele quem deveria processar a parlamentar, pelo medo que ela lhe inspira, por sua condição “trans”. Se fosse o contrário, acaso fosse o apresentador que a amedrontasse, poderia processá-lo por “musofobia”, que é o medo de ratos que ele estaria lhe afligindo.
Esse negócio de fobia é muito estranho. Existe a “gordofobia” (fobia de gordos), a “falacrofobia” (fobia de carecas), “pogonofobia” (fobia a barbudos) e a “escoptofobia” (fobia de pessoas que usam óculos), entre diversas outras, mas tenho um amigo que reúne todos esses requisitos em si próprio: é gordo, careca, barbudo e usa óculos, e assim poderia processar milhares de pessoas que o discriminassem, por conta de suas múltiplas características.
E por falar em discriminação, sou uma pessoa discriminada, e pretendo processar um monte de gente por aí, pois me sinto um milionário no corpo de um pobre. Devo começar pelos gerentes de restaurantes chiques, que se negam a reservar uma mesa para mim, pois acham que não tenho dinheiro para pagar a conta. E é verdade, mas isso não diminui o meu sofrimento.
Um dia desses, fui a uma loja de carros da Ferrari e o vendedor não quis marcar um test drive para mim. Olhou-me de cima a baixo, fixou no meu tênis que estava furado e disse que a loja só atendia clientes VIP. Mas eu sei muito bem o significado dessa sigla: “Very Important Personal”. Argumentei que sou editor de uma revista famosa, a Bulunga, e que merecia respeito. Ele observou que essa revista ninguém lê. Tive que concordar com ele.