Sempre que batem à minha porta, fico apreensivo, pois tanto pode ser o Mercado Livre quanto a Polícia Federal. Não faço parte de grupos de “resistência” nem participo das brigas do “X” (ex-Twitter), mas é preciso ter cuidado, pois teve muita velhinha que pegou 16 anos de cana só porque fez uma excursão para Brasília e apareceu em algumas fotos segurando uma bandeirinha do Brasil.
Não fui a Brasília, não participei da confusão, nem quebrei nada, mas vai que alguém faz uma montagem, e aí pode demorar uma década até conseguir provar a minha inocência. A Inteligência Artificial tem recursos fantásticos, e os caras podem fazer fotos ou vídeos perfeitos usando a nossa imagem e a nossa voz.
Está muito chato esse negócio de ter que tomar um excessivo cuidado com o que se vai falar ou escrever. Isso me lembra os tempos da antiga ditadura militar, quando tínhamos que apresentar nossos roteiros e fazermos um ensaio para o censor, que quase sempre dormia na plateia vazia. E normalmente tinham que cortar algum trecho, para justificar que estavam trabalhando.
Para falar a verdade, odeio política. É um saco ver aqueles caras no Congresso, nas Assembleias Estaduais ou nas Câmaras Municipais falando mentiras. Seja onde estiverem, são todos iguais. Mentir é a sua profissão, e eu não sou trouxa para acreditar. Mas tem muita gente que acredita, e briga, e mata ou se mata por política.
Gosto mesmo é de futebol, mas também não dá para confiar nos resultados. Vira e mexe, descobrem alguma mutreta no placar, ainda mais agora que os clubes são administrados por grandes empresas que possuem cotas e ações de vários outros clubes, e assim podem definir livremente quem vai ganhar ou perder.
Até nos relacionamentos pessoais a coisa está estranha. Você conhece uma garota linda, resolve se casar, tem um filho e nasce um bicho feio. Só então você vai descobrir que a mulher tinha um nariz de tucano, não tinha queixo, era caolha, dentuça e orelhuda, e havia feito milhares de plásticas no rosto e no corpo, mas a criança não sabia disso e nasceu a cara da mãe, no original.
Isso quando você não descobre que a garota antes era garoto, e que a certidão de nascimento e a identidade foram alteradas, pois isso agora é possível: basta ir lá no cartório e alterar, pagando uma taxa mixuruca. E se alguém reclamar vai em cana, dividindo a cela com a tal velhinha da bandeirinha do Brasil. Tempos difíceis.