EU NÃO SABIA

Nos tempos em que eu era ateu, pensava que Deus era uma criação do homem, com base em seus medos que eram muitos: raios, trovões, tempestades, incêndios, maremotos, tsunamis, morte, principalmente a morte, para a qual, até hoje, não existe uma definição precisa acerca do que é, se é uma eterna tela preta ou branca, se é o contrário da vida ou se é apenas uma etapa.

Com base nisso, o homem seguiu criando vários deuses, chegando aos milhares, como na crença induísta, mas, naquela época, eu preferia não acreditar em nada.

O estranho é que eu não tinha dúvidas quanto à existência de Jesus, um ser histórico, em seu nascimento, morte e ressurreição, em seus ensinamentos e milagres. Só que aquilo não me afetava diretamente e pensava que podia tocar a minha vida normalmente, sem a ajuda dEle.

Tem um tempo na nossa vida em que acreditamos que o nosso destino depende exclusivamente de nossa atuação, e que as conquistas são fruto de nosso merecimento e de coincidências que vão ocorrendo ao longo da história. Bens materiais, amores, amizades, empregos, promoções, viagens, tudo há de depender de nosso desempenho. E das coincidências. E quando as coisas dão errado? Aí é só começar a acreditar em Deus, convenientemente. Ou seja, para muita gente, Deus só serve para consolar os nossos fracassos e para pedirmos que nos traga de volta o que perdemos. Mas não deveria ser assim.

Não quero dizer que o Deus em que hoje acredito foi consolidado com base em derrotas. A gente acredita em tantas coisas absurdas e não vai acreditar que esse mundo não foi feito do acaso, que a vida é um milagre, que a rotação dos planetas não se sustenta de forma aleatória? E que Deus é o criador de tudo?

Hoje, mais agradeço do que peço, e confesso sentir uma certa vergonha por ter duvidado dEle durante tanto tempo.

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