Há dez anos escrevo. Mas escrevo para mim.
Sempre foi assim. Às vezes eu escrevia porque estava feliz; outras, porque estava triste. Aliás, a tristeza sempre foi minha maior motivação para redigir.
Hoje arrisco-me a escrever para outros… que coisa, não?
Quando recebi o convite, me empolguei — afinal, escrevo há dez anos, não teria problema algum em publicar um texto meu. Será? Fiquei um tempo escolhendo algo, e não achei nada meu que pudesse ser lido por outros. Afinal, escrever para mim sempre foi um processo de catarse, nunca para entreter ou alcançar um certo público.
Já passou pela minha cabeça a possibilidade de uma publicação póstuma — pelo menos assim não precisaria me expor em vida. Enfim….
Considero-me uma admiradora das artes, principalmente da literatura, mas gosto mais de sentir o que ela me proporciona do que de produzi-la.
Sem mais delongas, aqui está o meu texto. Nem carregado de alegrias e tampouco de tristezas, mas que de alguma forma transparece minha intimidade. Agora vocês já conhecem a personalidade introspectiva e melancólica que me define.
“Do céu olha o Senhor para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem sequer um.”— Salmos 14:2,3.
“Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.”— Romanos 7:21.
Sabemos que somos pecadores, pois, como está escrito, a verdade bíblica nos revela essa velha realidade. Se conhecemos a verdade, não apenas admitimos que somos pecadores, mas percebemos ainda mais o quanto nos distanciamos de Deus e mentimos para nós mesmos ao afirmar que somos verdadeiramente salvos.
Paulo foi sincero ao demonstrar seus dilemas para que a verdade fosse compreendida e aplicada à prática. Ele viu que sua natureza era má. E é exatamente dessa forma que Jesus nos mostra a verdade sobre sua palavra: não por Ele mesmo, mas por nós mesmos — ao nos vermos diante de sua palavra, notamos que não somos dignos de negar ou tentar justificar nossos atos, pois Deus conhece cada detalhe, até mesmo o mais oculto, da nossa verdadeira essência.
Só podemos fazer o bem por Graça de Deus. Ele mandou seu Filho não para nos condenar, mas para nos livrar das mãos do opressor e nos guiar a novos pastos.
“Ele me faz descansar em pastos verdejantes; leva-me a águas tranquilas. O Senhor renova o meu vigor e me guia por caminhos certos, como Ele mesmo prometeu.” — Salmos 23:2,3.
Não somos capazes de transformar nossa natureza por nós mesmos, mas Cristo pode mudar nosso caráter.
“Confia no Senhor de todo o teu coração, e o teu desígnio (intento, plano, trajeto) será estabelecido.” — Provérbios 16:3.
Não será sempre fácil. Sacrificar o velho homem e o mau desejo, às vezes, pode até parecer moldar e custar a própria vida interior. Daniel relatou isso ao se manter firme ao escolher não pecar. Se ele tivesse sido descuidado com sua maneira de viver, não teria dito:
“Que minha língua não me faça pecar. Enquanto os maus estiverem ao redor de mim, não falarei nada. Guardarei silêncio, mesmo que minha dor aumente. Mas o meu sofrimento se agravou, e a minha angústia ficou muito aflita.” — Salmos 39:1–3a
Não vai ser nada fácil, mas a recompensa virá e será eterna; e, certamente, algo que não se pode medir.
“Eu, porém, na justiça contemplarei a tua face; quando acordar, eu me satisfarei com a tua semelhança.” — Salmos 17:15
