“Vou mandando um beijinho
Pra filhinha e pra vovó
Só não posso esquecer
Da minha egüinha Pocotó
Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha pocotó
O jumento e o cavalinho
Eles nunca andam só
Quando sai pra passear
Levam a égua Pocotó
Pocotó pocotó pocotó pocotó
Minha egüinha Pocotó”.
A letra é só isso, mas é genial. Para quem quiser reclamar, é só olhar para as músicas clássicas, que fizeram um baita sucesso e nem letras tinham. Assim, Mc Serginho, esse fabuloso autor, somente comparado a mestres como Schubert, Chopin e Villa Lobos, deixou para a posteridade essa obra-prima.
Dá para ver que o autor é um cara “família”, pois antes de sair de casa tem o cuidado de mandar um afago para a sua filhinha e para a vovó, mas também é ligado à causa animal, um verdadeiro amante da natureza. E a música é cheia de lirismo, com a maestria de rimas como “beijinho” com “cavalinho”, “vovó”, “só” e “pocotó”. Poucos autores conseguem chegar nesse nível.
A sofisticação é tamanha que o autor utiliza um recurso dramático pouco presente nas demais canções, que é a “onomatopéia”: pocotó, pocotó, pocotó, reproduz o caminhar do animalzinho tão amado.
Assim como Guimarães Rosa, Mc Serginho cria novos termos até então não conhecidos pela língua portuguesa, relevando elementos da concordância, quando diz que “o jumento e o cavalinho, eles nunca ANDAM só, quando SAI (e não saem) pra passear… Coisa de gênio!
Mas vamos à performance do dançarino Lacraia, que até ganhou um hit com o seu nome, com o famoso refrão “vai, Lacraia, vai Lacraia…”. Deixou cedo este mundo, criando uma série de sósias como a famoso cantora Pablo Vittar. Porém, jamais chegarão aos pés do habilidoso e carismático Lacraia.
Lacraia foi o apelido criado pelo seu parceiro de palco para Marco Aurélio da Silva Rosa, natural de Jacarezinho, RJ, que morreu aos 33 anos. Quanto a Mc Serginho, uns dizem que morreu, e outros, que virou radialista da Rádio Roquete, no Rio de Janeiro.

