Para quem nunca foi, vale a pena dar uma lida neste artigo, que fala da aventura que é viajar até Ciudade Del Este, no Paraguai, que mais se parece com uma Rua 25 de Março, de São Paulo, aumentada 500 vezes ou mais. É uma experiência muito maluca. A começar pelas ruas infestadas de trambiqueiros de todos os tipos, misturados com compradores ávidos por levarem vantagem em tudo, e que muitas vezes se metem numa fria ao escolherem produtos grosseiramente falsificados. Mas lá existem lojas altamente confiáveis, que vendem produtos originais, como o Shopping China, a Cell Shop, a Loja Macedônia, a Loja Nissei, a Mega Eletrônicos, as lojas Sax e Monalisa.
Em termos de preços, a melhor opção é o Shopping China, onde você encontra um pouco de tudo, mas vale a pena conferir nas concorrentes), pois pode haver alguma variação, por conta de uma oferta ou outra, sendo que irá encontrar alguns preços de eletrônicos mais vantajosos na Nissei, na Cell Sop e na Mega Eletrônicos. Se a opção for itens mais sofisticados, roupas de alta costura, perfumes mais raros e até obras de arte, pode verificar nas lojas Sax e Monalisa, mas lá essas coisas são bem caras.
Uma manhã e uma tarde pode ser muito pouco tempo para você conhecer tudo, caso queira fazer boas compras. Dois dias é o mais indicado, e ainda assim será preciso fazer uma eficiente pesquisa prévia nos sites dessas lojas.
Se você for de carro, o que terminantemente desaconselho, pois terá que pagar a “carta verde” (custa entre R$90,00 e R$130,00), que nada mais é do que um seguro contra terceiros, lembrando que se acontecer alguma coisa com o seu carro, mesmo que o outro seja o culpado, você ficará “na mão”. Isso sem contar a fila para entrar e sair, o que em certas datas e horários pode representar duas ou mais horas de espera.
Quando estiver chegando próximo da Ponte da Amizade, de carro, antes da barreira da Polícia Federal, alguns malandros de colete, fingindo ser “autoridades” tentarão pará-lo, pedindo para que encoste o carro, mas não faça isso. É puro golpe. E assim que passar a ponte, será abordado por aproximadamente 300 maloqueiros tentando levá-lo até um estacionamento, o que pode acabar em pesadelo, pois, além de alguns desse se localizarem em verdadeiros buracos, você poderá ser extorquido na hora de ir embora. Eu mesmo caí nessa e tive que pagar 5 dólares por aproximadamente 20 minutos em um desses estacionamentos. Paguei rindo, pois foi melhor do que ter sido literalmente assaltado. Só depois fiquei sabendo que se você comprovar compras acima de 30 dólares no Shopping Paris, poderá deixar o carro lá o dia inteiro, de graça. O Shopping China e a Cell Shop também possuem estacionamento próprio.
Melhor opção ainda é estacionar o carro na rua, a umas quatro ou cinco quadras da ponte (paga-se rotativo, o que é muito mais barato), escolhendo uma rua movimentada em frente ao comércio, ou em algum estacionamento do lado brasileiro, para atravessar a ponte à pé, o que não gasta mais de 15 minutos. Mas tome cuidado para não ser abordado por algum meliante no meio do caminho, pois não está descartada essa possibilidade. Você também poderá encarar uma van ou ônibus, ou até um taxi, o que não sairá muito caro.
Cuidado onde entra. Determinadas galerias são verdadeiras “armadilhas”, e você poderá sair de lá “depenado” isso se conseguir sair vivo. Na hora que você entra nas lojas, são todos solícitos, simpáticos, mas tente sair sem comprar para ver como as coisas mudam: vira filme de terror.
Na hora do almoço, aconselho a procurar o Shopping Paris. Lá existe uma praça de alimentação com diversos restaurantes “self-service”, e você poderá comer uma boa comida por R$50,00 ou menos.
Você entrará no Paraguai com facilidade, e na maioria das vezes ninguém irá lhe pedir nem mesmo a identidade. Para sair será a mesma coisa: os fiscais da Receita Federal brasileira param um ou outro “suspeito” de estar levando muamba além da conta de forma aleatória, e se você for o sortudo de ser o escolhido (e tiver estourado a cota), estará lascado.
As vantagens das compras em relação ao Brasil significam aproximadamente 25% de economia, às vezes mais. Um smartphone que é vendido no Brasil entre R$1.900,00 e R$2.300,00, sai por cerca de R$1.400,00. Um smartwatch que no Brasil custa cerca de R$2.700,00 pode ser comprado nessas lojas por aproximadamente R$1.200,00. Você compra um fone de ouvido bluetooth por pouco mais de R$80,00, enquanto aqui pagaria R$120,00 ou R$130,00.
Você encontrará centenas de vendedores de meias nas ruas, que começarão oferecendo 10 meias por 10 dólares, passando para 15 por 10, 18 por 10, 20 por 10 e não duvido que chegue a 30 por 10 ou mais. São meias aparentemente comuns, mas que depois da primeira lavada pode jogar fora.
Para quem não sabe, Foz do Iguaçu, no Paraná, faz divisa com o Paraguai e a Argentina, e fica tudo muito perto. A cidade da Argentina que faz fronteira com o Brasil é Puerto Iguazu, mas a burocracia para entrar lá é aviltante. Foi uma péssima ideia ir até lá no mês de julho, mês de férias, de alta temporada, e para entrar naquele pais, eles revistam todos os carros que estão entrando e podem querer ver até mesmo a cor da cueca dos ocupantes (estou exagerando, é claro), mas as filas chegam a duas ou mais horas para entrar e para sair, e até parece que aquele país nem estava quebrado até bem pouco tempo, pois eles deviam dar graças a Deus por ter brasileiros dispostos a injetar dinheiro neles.
A explicação para tanto volume de carros entrando naquele país é o seguinte: os brasileiros vão até o país vizinho, trocam reais por pesos (que não estão valendo nada) para comprarem produtos no Duty Free, que fica antes da barreira, e onde os preços
estão em Dólar. Na conversão de pesos para dólar, fica mais vantajoso usar os pesos comprados na Argentina (quem tem uma taxa melhor) do que em casas de câmbio no Brasil.
Para entender melhor ainda, no Duty Free argentino, os preços são tabelados em dólar cerca de 30% mais caros do que o normal (em comparação com o Paraguai ou com os EUA), e com a conversão, ficam 30% ou um pouco mais baratos. Em outras palavras, NÃO VALE A PENA COMPRAR no Duty Free, pois no Paraguai você ainda pode negociar descontos.
Puerto Iguazu é uma cidadezinha simples, onde encontrará algumas lojinhas com produtos em couro (alguns são feitos no Brasil), artesanatos e bons restaurantes, cujos preços não são lá muito baratinhos, além do fato de que o churrasco argentino não leva muito tempero, o que pode desagradar aos brasileiros acostumados com a nossa carne bem mais salgada.
Fiquei tão revoltado com a experiência argentina que saí de lá gritando “Boludos”! “Maricóns”! Por sorte, tiveram pena deste velhinho e não apanhei.
Enfim, é um passeio interessante, ideal que seja feito em quatro ou cinco dias, e aí você aproveita para conhecer as cataratas (vai ter que desembolsar R$80,00 para entrar e mais R$50,00 para estacionar), pode também conhecer o Parque das Aves, andar na Roda Gigante Yup Stars, conhecer o Bar Gelado, o Dreams Park Show, o Marco das Três Fronteiras, onde acontecem shows de música e dança ao entardecer, entre outras atrações.
Mas não falei praticamente nada de Foz do Iguaçu, onde as pessoas ficam quase que só para dormir. Mas tem ainda o Parque Aquático Blue Park, que só tive coragem de conhecer na quarta visita que fiz àquela cidade. É simplesmente impressionante. Os tanques são gi-gan-tes-cos, com a água absolutamente limpa, com centenas ou milhares de espécies de peixes, e dá a sensação que você está dentro do mar. Posso afirmar que foi uma das experiências mais emocionantes que tive. Não perca!

