O Brasil aguardava ansiosamente o grande debate que, finalmente, aconteceu na noite de ontem. Mas não foi como as pessoas esperavam: ambos debatedores adotaram a estratégia de não responderem às perguntas um do outro. O mais engraçado é que um dos debatedores inquiriu o seu opositor acerca do seu envolvimento com um meliante que seria notoriamente ligado a si próprio. E o outro perdeu a preciosa oportunidade de responder, porque havia seguido à risca as orientações de seus conselheiros, sem raciocinar.
A situação ficou semelhante ao confronto de pré-adolescentes, quando um acusa o outro, que emenda com outra acusação e por aí vai, até que começam a xingar as respectivas mães. Nesse debate, só faltou isso. Foi como num jogo de truco: um “trucava” e o outro “retrucava”.
Contudo, por mais que falassem, a esmagadora maioria da população nada entenderia. Dos mais de 200 milhões de habitantes do país, 2 milhões, talvez pouco mais ou pouco menos, tenham assistido a esse debate. Desses, 70% não teriam a capacidade de compreender as questões legais envolvidas, que impediriam que ao menos um dos participantes jamais pudesse concorrer a qualquer cargo público. A maioria estava ali para ver alguma baixaria, uma cuspidela, um soco ou uma cadeirada, que não aconteceu. E foram dormir frustrados.
Michel Salomão