RODAR DE BOIA OU TERRENANDO ?
— Aos meus amigos Pescadores — Não posso dizer que sou pescador. Penso que até ofende aos meus amigos que possuem o domínio dessa arte. Eu, que até pouco tempo, chamava os anzóis de “jotinha”; que cortava as pontas das minhocas para que elas ficassem quietas em minhas mãos… Minhas experiências, por enquanto, foram restritas […]
O RETRATO
A sala era simples, pintada de azul, e no alto da parede havia uma moldura com o retrato de um homem e uma mulher. Retrato em branco e preto, encardido, muito velho. Era a casa dos meus tios. O retrato lá, olhando para mim e eu olhando para ele. Ficava pensando naquelas pessoas, quem foram? […]
COR DE ABÓBORA
Meu irmão do meio era preguiçoso, não tinha, para o trabalho, a disposição para aventuras. Minha mãe raiava com ele chamava–o de Anequecir, a quem ele devia ter herdado tal preguiça. Uma vez estive no barraco do meu avô, não parecia fazer jus a alcunha. Lá havia dezenas de tralhas empilhadas, tudo velho, sem serventia. […]
VENDINHA
Minha mais remota lembrança de investidor data-se mais ou menos… Não posso precisar, sei que era miúdo e achava que tinha poder, e tinha. Meus irmãos precisavam de mim, bajulavam-me, afinal, eu tinha as mercadorias que eles queriam. Meu estoque possuía três meizinhos, três pirulitos, seis ou sete balas enroladas, dois ou três doces de […]
ENXAQUECA
Aula de ciências. “Faça uma redação sobre uma doença que você já teve”. Naquela hora começou o meu suplício. Uma palavra. Apenas uma palavra. Uma bendita palavra me impedia de começar minha redação. Enxaqueca. “Enchaque”… nunca senti tanta falta de um dicionário. Se eu errasse logo no começo, a professora nem tomaria o cuidado de […]
RESULTADO BOMBA
Ela passou por mim com um andar que nunca havia visto. Um andar feminino, um andar imponente, de deusa, da própria poesia que vagava pelo pátio da Escola. Meus olhos a seguiam, meus versos de menino insistiam em descrevê-la. Era um sonho. Estava na sétima série. Dona Odete, professora de História, quase não ria, falava […]