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Adão percebeu pela primeira vez que estava nu quando desobedeceu a Deus e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal.
É o que diz a Escritura.
Eu percebi pela primeira vez a vergonha da minha nudez, quando “pegou fogo em mim”…
Eu tinha 6 anos e resolvemos, eu e minhas duas primas, brincar de casinha.
Minha prima mais nova seria a filhinha, minha prima mais velha seria a mamãe, e eu homem seria o papai.
Elas foram fazer as comidinhas e eu fiquei responsável pelo “churrasco”…
Mas o fogo não pegava, e eu então desobedecendo meu pai (pois estava brincando com fogo) resolvi jogar um copo de álcool na churrasqueira, para fazer o fogo pegar mais rápido.
Pra quê……!?
Tudo explodiu no meu rosto e na minha perna esquerda.
Aos berros saí correndo, meus irmãos assustados tiraram minha roupa e me colocaram debaixo do chuveiro enquanto minhas primas correram um quilômetro gritando “Pegou fogo no Natã… Pegou fogo no Natã…!”.
Meus pais que estavam na casa de amigos, ao vê-las gritando, vieram apressadamente ao meu encontro junto com uma pequena “multidão de amigos e vizinhos” que queriam ver o menino “em chamas”.
Ao chegarem na casa de meu tio, eu já estava deitado nu sobre uma cama, gemendo de dor, com o rosto e a perna já desfigurados pelas bolhas das queimaduras e estrategicamente posicionado sobre as minhas intimidades… Um pequeno lenço branco.
Todos chegavam e viam a grotesca cena, as queimaduras horríveis, pegavam no lencinho branco, o levantavam e diziam “Ufa… Não queimou…”.
Um a um todos, incontáveis amigos e vizinhos se certificaram de macabramente despertar em mim, pela primeira vez, a vergonha da minha nudez.
Cheio de dor, mesmo assim, aos 6 anos, percebi que eu estava nu e me envergonhava disto.
As cicatrizes da perna tenho até hoje.
As do rosto foram desaparecendo aos poucos, mas agora envelhecendo parece que com a pele mais judiada, todas aquelas cicatrizes estão voltando, estou criando manchas no rosto nos mesmos locais das queimaduras de menino, espero morrer jovem, antes que eu vire um “monstro” novamente.
A vida seguiu em frente…
E na vida de homem, muitas vezes desobedeci a Deus e voltei a “brincar com fogo”…
Novamente ficaram cicatrizes na alma, e novamente descobri que diante da santidade de Deus eu estava miseravelmente “nu”, “pobre” e “perdido” nos meus pecados.
Mas o Senhor sempre tratou das minhas “queimaduras” e assim tem sido.
Ficam de lembrança…
Insuportáveis cicatrizes.
