— Aos meus amigos Pescadores —
Não posso dizer que sou pescador. Penso que até ofende aos meus amigos que
possuem o domínio dessa arte. Eu, que até pouco tempo, chamava os anzóis de “jotinha”; que cortava as pontas das minhocas para que elas ficassem quietas em minhas mãos…
Minhas experiências, por enquanto, foram restritas ao São Francisco, um Rio mágico, uma paz imensa, bons e fiéis amigos, uma boa cerveja, um bom tira gosto, uma cantoria e muita prosa.
Vou, aos poucos, acumulando vocábulos como “poitar” “jogar a poita” (mesmo que ancorar), rodar de boia ( desligar o barco e deixá-lo a deriva ) e ele vai descendo numa preguiça danada. Talvez para que possamos aproveitar mais o momento. A gente fica de olho na boia, se ela abaixar, o peixe sai na foto. Outro termo é “terrenando” a mesma coisa, só que sem boia. A isca vai pro fundo do Rio, mas, nesse caso, corremos o risco de perdermos tudo: isca, anzol, linha …
Os dias passam, temos que ir embora. Voltar para a selva de cimento. “Rodar” de carro, sem boia, sem isca, Cada um vai “poitar” nas suas obrigações: construções, imóveis, postos, escolas, perícias…
Mas o pensamento no Rio: esperando um novo momento para subir a poita da correria e rodar de boia novamente.
Geraldo Hera