Funk, twerk e luz vermelha

O que merecem os pais que preservam a alma dos filhos?

      — Uma medalha! — diria alguém.

      — Uma salva de palmas.

      — Quem sabe uma festa de gala? Com sonatas, noturnos, canapés e champanhe?

      Mas não. O melhor é tacar-lhes um processo, condenar a serviços comunitários e obrigar os filhos a flatos e arrotos… porque “hoje tem fluxo”!

      E aí do coitado se não gostar…

      Para que tocar piano se você pode bater panelas, berimbau ou vuvuzela? Vai um gole de “Sporro” ou “Piscadinha”? Viva os “twerks” e “challenges”!

      Se na escola, biologia virou opinião e gramática opressão, o analfabeto funcional continua livre, leve e solto, e ainda mais pedagogicamente blindado.

      Se conjugar os pronomes neutros antes do “beabá”, uma cadeira na universidade mais próxima está assegurada.

      Em Jales, quem não gosta de certas preferências musicais se lasca. Ou mente, ou será reeducado. E isso se não criarem o “Ministério do Rebolado e do Pancadão”.

      Não é exagero dizer que muitos títulos e diplomas nasceram nas raves… ou naqueles lugares onde a luz vermelha pisca, mas nunca apaga.  

Jorge F. Isah

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