O traficante não pode ser punido pela sua atividade criminosa: a culpa é do usuário que consome os seus produtos. O estuprador não pode ser condenado pela violência que pratica: a culpa é da vítima, que não aceitou servir aos seus desejos sem resistência. O pedófilo não pode ser responsabilizado pelo terrível mal que causa à criança: a culpa é dela, que não amadureceu sexualmente de forma instantânea. A autoridade corrompida não pode ser punida por aceitar propina; tampouco o corruptor pode ser incriminado pela sua atividade lobbysta: a culpa é do sistema, que não regulamenta essas atividades. A praticante do aborto não pode ser rechaçada pela morte de um novo ser em formação: a culpa é da Johnson & Johnson que vendeu camisinhas furadas. O brasileiro não pode ser chamado de burro por votar em bandidos: a culpa é das pessoas honestas que não se candidatam a cargos públicos. A Revista Bulunga não pode ser ridicularizada por não ser lida: a culpa é do leitor que tem coisas bem mais interessantes para fazer.