COSMONAUTA

A nave espacial estava à deriva há 787 dias terrenos. A mensagem de socorro foi enviada para a outra nave, mas não havia resposta. A solidão do cosmonauta era de enlouquecer. As vozes na cabeça não paravam.
Havia um novo perigo: a presença de um intruso na nave, que ameaçava sua vida. Ouvia seus passos pesados nos corredores, ouvia sua voz no sistema de som, quase sentia seu hálito quente e na escuridão quase percebia sua expressão assassina. Para sobreviver precisava ficar escondido do intruso em nichos desconhecidos da nave. Refletia. Era um tipo de alien? Alguma criatura estelar desconhecida, devoradora de humanos? Um ser cósmico qualquer em busca de sangue? Uma criatura fantasmagórica que extrairia sua alma? Alguma forma de vida hostil que o desintegraria? Não sabia. Aguardava a morte. Era questão de tempo.
Só o medo o dominava agora. As vozes na cabeça não paravam.

A mensagem foi finalmente recebida pela outra nave. O socorro estava a caminho. Só precisava ficar escondido até o resgate chegar.

“Comandante Roger, aqui é a nave de resgate, dirija-se à saída número 3, dirija-se à saída número 3”. Finalmente salvo.

— Cuidado, não deixem o alien nos ver – advertia o cosmonauta, exausto.

— Comandante, não há mais ninguém na nave. O senhor partiu sozinho nesta missão espacial.

As vozes silenciaram.

Aldair Ribeiro Santos

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