Para qualquer lugar que a gente olhe, tem alguém focado em uma tela de smartphone: garis nas ruas, estudantes nas aulas, mendigos em seus ofícios, fiscais de trânsito nos semáforos, cirurgiões em plenas cirurgias, faxineiras no trabalho, donas de casa fazendo o almoço, advogados na tribuna, padres na missa, pastores no culto, jogadores de futebol em jogo, casais durante o sexo, motoristas no trânsito, astronautas no espaço, enfim, o mundo inteiro está ligado aos mais diversos assuntos interessantíssimos que há bem pouco tempo não faziam parte da rotina dos humanos.
Pensem bem: nos anos 1960, 70 e até meados dos anos 80 ninguém tinha aparelhos de TV em casa. E muito menos computadores. Geladeiras poucos possuíam, e seria impensável imaginar que algumas delas mostrariam, anos depois, num telão em sua porta, o estoque a ser reposto, a temperatura ideal e, de quebra, transmitiriam o programa matinal enquanto os moradores daquela casa faziam o seu desjejum.
A tecnologia evoluiu assustadoramente nos últimos anos. Já temos carros voadores, massageadores de pescoço, lanternas de Led, lixadores de unha automáticos, aparadores de pelos dos testículos, mas ainda nem estamos tendo acesso às maiores novidades do mercado, com exceção dos chineses. Na China eles vivem no futuro, ou melhor, no presente: nós é que vivemos no passado. Tem muita gente, no Brasil, que não possui saneamento básico em suas casas. Que não usufruem das mínimas condições de conforto disponíveis a seres humanos. Mas os smartphones estão lá, firmes, em suas mãos.
Michel Salomão