Sintético

Ela comprou um sintético. Isso mesmo, comprar um homem sintético é a coisa mais natural do mundo no ano de 2095. Precisava de um para o serviço pesado da casa. Havia uma certa desconfiança devido ao preço tão baixo, uma pechincha.

Desembalou a grande caixa e seguiu cuidadosamente as instruções. Deixou de molho com os eletrólitos ativadores de um dia para o outro. No dia seguinte hidratou com os produtos do fabricante. Enxugou. Instalou as células de energia. Deixou ligado 24 horas na tomada. Está pronto. Inicializou usando o aplicativo.

Mas, há algo errado! O sintético não fala, não anda, fica inerte com cara de bobo. A única ação que faz de modo meio automático é esticar o braço em direção a garrafas de cerveja, algo assim primitivo mesmo.

Releu o manual de capa a capa. Achou nas entrelinhas: “cérebro vendido separadamente”.

Bem que ela desconfiou do preço.

Aldair R. Santos

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