“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”
Esse é um aforismo popular disponível em quase todas as culturas e línguas, mais parecendo uma epígrafe ou necrológio.
Assim nos vemos, ano após ano, quando somos chamados a preencher as declarações do Imposto de Renda. Sim, se antes havia um único documento, hoje ele se reproduziu em multidão de papéis, ininteligíveis até mesmo para quem os construiu.
Como o importante não é entender, mas deixar brechas para cobranças exorbitantes e multas, nada melhor do que explicar até a cor do dinheiro que nunca viu. Dessa forma, as explicações se desenrolam como rolos de papel higiênico num vendaval. E vão acabar no colo de algum burocrata, e de lá se sai ainda mais devedor ou preso. É só escolher.
Tenho a sorte de não ter bens, não ser assalariado, não ser autônomo e vivo às custas da aposentadoria da minha velha. Ela e o salário de professora pública me mantém na linha e incapaz de ser pego na malha fina. Que de fina não tem nada. Pelo menos, o chumbo é grosso.
Por essas e outras que, quando me perguntam o que faço da vida, digo: vivo na manha, sem o bafo do leão no cangote.
Ele é o rei, mas a minha turma é outra.
E pra quê correr?
Jorge F. Isah