A etérea e translúcida cara-de-pau!

Um dos ícones revolucionários do sec. XX foi, certamente, Che Guevara — sim, aquele que a torcida mais fanática e delinquente estampa em suas bandeiras. Aquele das camisetas de dândis e almofadinhas, e do poster na parede do quarto, à cabeceira da cama, o anjo das trevas. Che que matou índios, negros, homossexuais, trabalhadores, estudantes e mais quem se opunha ao seu pensamento hermético, tornou-se símbolo de defesa da vida. O homem que ordenou a prisão, a tortura e morte de centenas de outros homens, disposto a insuflar uma guerra onde estivesse, hoje é o símbolo da paz. O homem que elaborou frases de amor, solidariedade e sonhos, era diametralmente oposto em seus atos beligerantes, excludentes e torturantes. Falava do que não conhecia, e iludiu muitos com o seu falso conhecimento, pura lábia de um “amigo da onça”. Mas haverá sempre os desejosos em seguir o próprio capeta, desde que ele seja convincente e descolado, ou aparente piedade quando predador ecumênico.

            Este Che (stalinista empedernido e defensor ferrenho de Josep) está nos códigos e marcadores de livros de qualquer um que renunciou à própria consciência para salvaguardar as trincheiras revolucionárias. E esse é o mote de Ernesto e inúmeros dos seus seguidores: fazer do delírio e vício uma virtude.

            Com palavreado adocicado a fel, frases açodadas, slogans e uma propaganda intensa do mito a negar o homem, gerações e gerações serão acalentadas com a balela ideológica de que os fins justificam os meios, seja lá qual meio for, para construir um mundo melhor que em nada melhora, em tudo piora, restando então o progresso para a fortuna e fartura de alguns poucos, a casta a substituir outra casta, e aí por diante.

            Deixo-vos, portanto, as melhores frases do mito Che, que soube muito bem  o que vender para a sua legião de fãs, sempre em busca de um tipo de liberdade onde o cadeado nunca se abre.  

            E o “rei” somente não ficou completamente nu porque o vestiram da mais tênue, etérea e translúcida cara-de-pau!

FRASES¹:

  • “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.
  • Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.
  • Se eu andar me siga, se eu parar me empurre, se eu voltar me mate.
  • Não há experiência mais profunda para o revolucionário que o ato da guerra.
  • Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.
  • Fuzilamentos? Sim, fuzilamos e continuaremos fuzilando sempre que necessário. Nossa luta é uma luta (dedicada) à morte.
  • O importante não é justificar o erro, mas impedir que ele se repita.
  • A farda modela o corpo e atrofia a mente.
  • Deixe-me dizer-lhe, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor.
  • Na verdade, se o próprio Cristo estivesse no meu caminho eu, como Nietzsche, não hesitaria em esmagá-lo como um verme.
  • O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade.
  • Que culpa tenho eu, se meu sangue é Vermelho e meu coração é de Esquerda?
  • Que importa onde a morte nos irá surpreender! Que ela seja benvinda, desde que nosso grito de guerra seja ouvido, que uma outra mão se estenda para empunhar nossas armas e que outros homens se levantem para entoar cantos fúnebres em meio ao crepitar das metralhadoras e novos gritos de guerra e de vitória!
  • A culpa de muito dos nossos intelectuais e artistas reside em seu pecado original; não são autenticamente revolucionários.
  • Eu não sou o Cristo ou um filantropo, velha senhora, eu sou totalmente o contrário de um Cristo… eu luto pelas coisas em que acredito, com todas as armas à minha disposição e tento deixar o outro homem morto, de modo que eu não seja pregado numa cruz ou qualquer outro lugar.
  • O ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona o revolucionário para além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, seletiva e fria máquina de matar: nossos soldados têm de ser assim.
  • Louco de fúria, mancharei de vermelho meu rifle estraçalhando qualquer inimigo que caia em minhas mãos! Com a morte de meus inimigos preparo meu ser para a sagrada luta, e juntar-me-ei ao proletariado triunfante com um berro bestial!
  • Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar motivado pelo puro ódio. Nós temos que criar a pedagogia do Paredão!”

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Nota: 1- Tente não rir e não chorar, não sentir náuseas e vomitar, não ter urticárias e coçar, beliscar-se e acordar, se puder, em meio a tanta contradição e barbarismo (intelectual, semântico, moral e psicológico).

Jorge F. Isah

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