As janelas da alma

Meus olhos… quanta beleza têm os meus olhos.

De acordo com a ciência, os olhos são órgãos responsáveis por dar nutrição, visão e proteção ao nosso corpo. E os meus, ah os meus esféricos olhos carregam mais do que isso; posso dizer que são quase emocionais, característica atribuída  também ao intestino.

Sofria muito bullying na infância por causa deles. Era coruja, farol, olhos maiores que a cara, e por aí vai

Na adolescência e início da vida adulta, cessando os insultos, eles foram esquecidos; passados de forma despercebida, até por mim. Só me chamavam alguma atenção quando maquiados. Ficam lindos!

Um dia, depois de muito tempo, pude perceber uma protuberante graciosidade em meus olhos.

Não  apenas subjetiva, funcional, mas em sua forma.

Passei a observá-los durante episódios de emoções intensas.

E como são expressivos esses meus olhos! Não que o de todos nós não seja, mas modéstia à parte, os meus se sobressaem.

Lindos, redondos, volumosos como nenhum outro. Com cílios separados e levemente levantados, criando um belo conjunto com o arco da sobrancelha. São na cor castanho bem escuro, sem sombreados, tornando quase em uma coisa só íris e pupila.  Eles são do tom exato de meus cabelos.

São bem grandes, de fato — como eram elogiados de forma um tanto pejorativa — mas são perfeitamente proporcionais, de um todo arredondados, parecendo-se com bolinhas de gude. Quando fico triste, revelam-se mareados em um tom rosado, entregando todo o sentimento que parece transbordar em meu íntimo, e de tanta abundância em meu interior, eles acabam denunciando o meu estado, enquanto todo o corpo segue firmemente a postura que meu cérebro, autoritariamente, determina. Quando fico alegre, ele se expande, fazendo um enquadramento bonito do rosto, junto ao sorriso que o acompanha.

Quando fico brava, ele se mostra imponente, claro, com a ajuda indispensável das sobrancelhas, me dando um ar de séria, coisa que não é muito de meu feitio.

Ah os meus olhos…

Como vejo beleza em vocês.  Tudo que o coração escondeu, de forma impulsiva vocês denunciaram.

Se escondi opiniões, vocês as manifestaram. O que seria da moça de poucas palavras sem os seus comunicativos olhos? Que cumprem não só o seu papel biológico, mas para além disso, um emocional. Vocês são as janelas da minha alma porque através de vocês eu vejo o mundo material e imaterial, mas também porque vocês escancaram para o mundo o que não tenho bravura para colocar em palavras. Prometo cuidar de vocês, comprarei óculos novos.

Jéssica Fernandes

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