Bem mais que as pétalas

Desabrocha teu peito e sente o frescor da brisa que impele os bons sentidos.

Deixa fluir a seiva que vivifica o corpo e conduz às primícias do ser em um jorrar de maravilhas.

Desperta teu cantar e tua graça em tons suaves e melodias afáveis, como ao vento que te sopra à face.

Desencanta o teu brio e jovialidade e mostra que, além dos espinhos, permanece a vida sem contingências, apesar das restrições.

Doravante, quando perscrutarem aqueles que te acompanharam em vida, sentir-se-ão honrados em ter compartilhado de teu jardim, ó, Rosa.

Teus pés movimentam-se em disparates, relembrando-me a última valsa.

Nos salões da vida, a música enternecia os nossos ‘eus’ e amortecia os sentidos.

Lá pelas tantas da madrugada dos inebriantes licores, onde a fantasia diferencia a bela adormecida da gata borralheira, soou aos meus ouvidos a sineta da realidade e a doçura de tua voz. Fitei-te os olhos e bailamos encantados sob o luar.

Nem me lembro da hora que acabou. Talvez por isso, me vejo recomeçando e por aí me vejo dançando, dançando…

Glayson Carneiro Marcelino

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