Com a escalada 5×2, Victor, um empreendedor do ramo alimentício, a “Brasilis Coffee” , não sabe mais o que fazer. Antes de procurar o contador, visita o psicólogo.
Além dos novos impostos, a falta de mão-de-obra e o PCC investindo na concorrência do México e Honduras, querem a jornada de trabalho apenas no sistema “home office”.
Ele tem crises de pânico e ansiedade cada vez que o Ministro da Fazenda faz um pronunciamento.
Depois que o sindicato exigiu que recebesse semanalmente os funcionários para um café em casa, está sentindo que os filhos verdadeiros é o seu staff. Teme, em um futuro próximo, ter de adotá-los definitivamente e abandonar o Pedro Augusto e a Maria Efigênia aos cuidados do Conselho Tutelar.
A esposa, dona Virgínia, tem certeza de que toda essa orquestração é por causa da Carla, a secretária piriguete do marido, mas amante do Ricardo e Júlio, que não se importam com o ménage à tróis. Ela tem certeza que o arranjo é a quatro mesmo.
Enquanto isso, Arlete e Devanir, alternam-se sistematicamente como funcionário do mês na Brasilis Coffee, e se julgam injustiçados, pois além de ganharem o mesmo que “os vagabundos da equipe”, são obrigados a dividir o prêmio, numa espécie de “parasitismo estrutural”. Devanir espera uma reparação no futuro, e Arlete já faz unhas e pés nas horas vagas.
Com a redução da escala para 2×5 os políticos estão legitimando algo que fazem há décadas… Em alguns anos, os monstrengos projetados por Niemayer em Brasília serão museus, isso se não virarem albergues de luxo.
E Victor espera esse dia para distribuir os seus cafezinhos.
Jorge F. Isah