Viva a democracia!

Depois de percorrer os corredores do supermercado, aquelas fileiras estreitas e cheias de vidas, onde não raro nos apaixonamos pelo doce-de-leite, o achocolatado ou biscoitos de morango, peguei a minha cestinha, com um pouco de cada, bem pouco, diga-se de passagem, e me dirigi ao caixa, onde a minha carteira foi literalmente pisoteada pela atendente, que inicialmente me conquistou com um sorriso amigável, olhares sapecas, mas depois destruiu o meu pobre coração ao me deixar completamente duro.  Sequer me ofereceu o cupom de desconto do estacionamento ou o número de telefone, e praticamente tive de implorar-lhe; e com muito custo, diante de uma fisionomia enfezada e nada amistosa, a autenticá-lo, e jogou-o na minha direção com desprezo.

Eu sei que nos tempos atuais estamos sujeitos a tudo, desde as propagandas enganosas, embalagens diminutas e cada vez menores, e uma série de agentes tóxicos descritos por hieróglifos nos rótulos; luz ultravioleta, pisos escorregadios, carrinhos dirigidos por brucutus de ambos os sexos, trombadinhas, impostos, taxas, e a famigerada remarcação dos preços. É um ambiente inóspito, um campo de batalha, onde temos de disputar quase a sopapos aquele produto em promoção, e a última barra de chocolate de 100 gramas que custa as 200 gramas e não 25, enquanto ouvimos o som execrável de cantores desafinados, letras vulgares e as batidas do corredor da morte.

No estacionamento, as vagas são parcas, os acessos difíceis, e a concorrência faz parecer a disputa das 24 horas de Le Mans. Salve-se quem puder! Ou aquele que for mais rápido. Infelizmente, o jeitinho brasileiro contaminou todos os aspectos da vida hodierna, e quem não se encaixar nesse “modus operandi” tupiniquim, está fadado ao deboche e sarcasmo dos velhacos. Fazer o quê!

Com o preço e a qualidade dos produtos, otários somos todos, os que correm mais que os outros, os que trapaceiam mais que os outros, os orgulhosos mais que os outros, os metidos mais do que os outros… e, não me fale dos espertalhões! Esses são o suprassumo do nonsense,  confinados em seus quarto e sala, achando-se no Taj Mahal. Todos, sem exceção, levam pernadas dia e noite, semana sim, outra também, e nessa guerra de egos e “esperteza” ninguém se salva, vence ou ergue o prêmio…  

E se você acha que ganhou, não se esqueça de reparti-lo com o “Leão”, pascácio!

E viva a democracia!!!   

Jorge F. Isah

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