Não está me dando mais vontade de escrever. A gente escreve para desabafar, para ensinar, para refletir, para reviver, mas o mundo tem tomado um rumo tão estranho que a apatia acaba tomando conta, e preferimos passar o tempo vendo besteiras nas redes sociais. São besteiras aparentemente interessantes, de curta duração, que não nos dão tempo de raciocinar, e assim ficamos horas por conta dessas coisas.
Tenho lutado contra isso e, por este motivo, recentemente, voltei a ler livros de papel. Estou lendo duas biografias ao mesmo tempo, ambas com aproximadamente 500 páginas, mas é muito estranho ficar segurando aquele volume pesado na cama, sem jeito para folhear as páginas, e se der uma cochilada ele cai sobre a nossa cara, nos pregando o maior susto.
A primeira é sobre o Boni, o famoso José Bonifácio de Oliveira, que foi um bem sucedido publicitário antes de se tornar o todo-poderoso da Rede Globo de Televisão. A outra, é sobre a vida louca de Keith Richards, guitarrista dos “Rolling Stones”.
Antes que venham criticar a minha escolha, sugerindo que eu leia algo sobre Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá, preciso deixar claro que escolho o que me dá na telha. E sempre gostei de ler dois, três ou quatro livros de uma só vez. Quando adolescente, eu era piolho de bibliotecas, e chegava a ler cinco ou mais livros por semana. Ficava por conta disso. Varava a noite lendo os mais fantásticos romances, e como dormia pouco (até hoje sou assim), podia chegar a 16 ou 18 horas de leitura diárias.
Ok, você venceu! Vou dar uma pausa nas leituras e tentar escrever algum artigo para a Bulunga, a “revista que ninguém lê”, antes que o sono venha.
Michel Salomão