Às vezes a gente ganha, mas a gente perde. Ou perde, mas ganha. A vida é um paradoxo. O errado está certo e o certo, errado. As recentes eleições foram uma prova disso. Foram tantos episódios estranhos que poderíamos afirmar que um puteiro de beira de estrada pode ser bem mais organizado. Dizem (não fomos nós) que teve gente que votou numa seção, mas depois foi conferir e verificou que, naquele local, o outro candidato, no qual não votou, obteve 100% dos votos. É coisa de maluco!
Mas não adianta chorar o leite derramado. A não ser que você lamba o chão. Como diria o filósofo Tiririca (que não se reelegeu), “se você parar para pensar, pensa parado”. Então pare de pensar. E não adianta fugir, pois, segundo o criador do sucesso Florentina, “tentei fugir de mim, mas onde eu ia eu estava”.
O mundo está todo confuso. Ninguém duvida que haverá a 3ª Grande Guerra Mundial, mas a coisa deve acontecer do outro lado do oceano e talvez nem chegue aqui: o nosso maior problema são os bandidos, que se graduaram e se transformaram em poderosos agentes públicos. Com essas eleições, aumentará ainda mais o número de meliantes no poder, escolhidos pelo voto ou por eles indicados, com a chamada “carreta furacão”.
O Brasil não precisa de uma guerra. Neste país morre diariamente mais gente do que em qualquer conflito mundial. São vítimas de latrocínio, bala perdida, feminicídio, acidentes de trânsito, comida estragada, fome, e as pessoas nem mais se sensibilizam com essa avalanche de notícias ruins estampadas nos jornais.
A Revista Bulunga não pratica esse tipo de jornalismo. Na verdade, somos sempre os últimos a saber sobre os acontecimentos, pois estamos tão ocupados preparando os nossos contos, crônicas, artigos, spoilers e outros materiais que nem dá tempo de ler o que os outros publicam. E no final, ninguém lê a nossa revista.
Michel Salomão