Todo projeto que se empreende carrega consigo uma expectativa de sucesso — e, junto dela, o medo da não aceitação. Essa expectativa envolve resultados positivos, apoio de pessoas próximas e disposição para superar cada etapa rumo ao êxito. Já o medo nasce da incerteza: do que virá em seguida, da forma como os outros o verão e do grau de frustração caso algo saia do controle.
Entre as fontes de apoio mais esperadas estão a família, os amigos e os colegas de trabalho. São três grupos relativamente fáceis de observar no início de qualquer jornada. E, nas redes sociais, especialmente no Instagram, o comportamento desses grupos revela conclusões surpreendentes.
Observe quantas pessoas visualizam o que você posta, mas não curtem. Tudo bem se a postagem for irrelevante — eu também não curtiria —, mas e quando o conteúdo é bom, inspirador ou bem elaborado, e mesmo assim cai no limbo? Por que isso acontece?
A psicanálise oferece algumas explicações para esse silêncio digital:
Inveja silenciosa – Algumas pessoas não têm coragem de se expor como você faz. Curtir e apoiar você seria, ainda que inconscientemente, admitir que você está indo bem — e isso pode ferir o ego delas. A inveja, muitas vezes, se disfarça de indiferença.
Narcisismo ferido – Seu progresso destaca a estagnação ou frustração do outro. Curtir seu trabalho ativa dores internas e a sensação de estar “ficando para trás”. Lidar com o sucesso alheio pode ser emocionalmente difícil.
Desejo de controle ou superioridade – Para alguns, o silêncio é uma forma de poder. É como se dissessem: “Se eu não curto, não dou palco.” É uma tentativa sutil de controlar o crescimento do outro sem se expor.
Identificação reprimida – Às vezes, a pessoa vê em você algo que também existe nela. Mas esse reconhecimento gera desconforto. Ela se identifica, mas não quer admitir. Isso gera conflito interno.
Competição inconsciente – O motivo pode ser obscuro, mas há uma rivalidade velada. Isso é comum quando existe uma história parecida, um círculo social em comum ou quando vocês atuam na mesma área profissional.
Logo, o silêncio, a falta de apoio ou incentivo, muitas vezes dizem mais sobre a psique de quem observa do que sobre o valor do seu trabalho. O olhar de quem vê, mas não curte, raramente é neutro. Ele é carregado de conclusões inconscientes, afetos não elaborados e histórias mal resolvidas.
Nem sempre o silêncio é desinteresse. Às vezes, ele é apenas o grito abafado de alguém que ainda não aprendeu a lidar com o brilho do outro. Que isso nunca silencie a sua voz.
Patrick Armani
é Engenheiro de Software, Pós-graduado em Coach e Liderança, escritor e palestrante.