Hoje, fui assistir o filme “Dia D”, de Steven Spilberg. Estava curioso para ver o novo trabalho desse competente diretor, especialmente por causa da propaganda que prometia um verdadeiro impacto acerca dos segredos até então não revelados pelo governo dos EUA com relação aos “alienígenas”, também chamados “extraterrestres”.
Mas o filme não é tudo isso que alardearam. Tem ação, perseguição de carros, tiros, explosões, suspense, ingredientes que não podem faltar em um filme norte-americano que se preze. Mas a trama beira a fantasia burlesca. Um grupo de funcionários de uma ONG, denominada Wardex Corporation, rouba um material ultra-secreto que nem mesmo os serviços de inteligência do governo dos EUA, e muito menos os seus Presidentes, tem conhecimento, e somente quase no final do filme saberemos tratar-se de provas da existência de seres cabeçudos e olhudos, que o líder dessa organização, o maléfico Noah Scanlon, tentava esconder a qualquer custo.
O material em questão está em poder de Daniel Keller, que nem sabe ao certo o que está fazendo, mas encontrará mais tarde com a meteorologista de telejornal Margaret Fairchild, que começa a manifestar comportamentos estranhos logo após um pássaro (cardeal) vermelho entrar em sua cozinha. A partir daí ela começa a falar em outras línguas, a ler a mente das pessoas, falar com elas sobre assuntos pessoais, quase sempre relacionadas à família, o que as deixa abaladas, até que, por fim, faz uma espécie de cacarejo ao vivo, e logo desmaia. Em seguida, é levada para realizar toda espécie de exames, mas nada é detectado.
Vamos dar um salto para o final, que é quando Daniel e Margaret se encontram, depois de muita perseguição pelos agentes da Wardex, e para a sorte deles os homens de preto são totalmente incompetentes e não conseguem capturá-los. Com a ajuda de Hugo, que parece ser o “cérebro” da operação, descobrem que foram abduzidos juntos, quando eram crianças. Mas tudo foi pelo bem deles: os ET’S eram todos bonzinhos e só queriam ajudar a raça humana, apesar de terem sido, durante décadas, atacados, maltratados e mortos pelos terríveis humanos. No final, Spilberg, como faz em todos os seus filmes, ameaça partir para a pieguice, no momento em que Margaret faz um pronunciamento em rede nacional (ou mundial), contando para todo mundo as verdades sobre os seres do espaço. A partir daí Noah, o mauzão inveterado, passa a ser bonzinho. Para piorar, surge, nos últimos instantes, em uma espécie de cadeira de rodas, um velho ET com cabeça de bigorna, que parece ser o mesmo personagem do antigo filme do diretor, e sussurra algum segredo no ouvido de Daniel e Margaret. Em seguida, a apresentadora vai para frente das câmeras e faz que vai anunciar o que o bicho falou, mas o filme acaba abruptamente. Esperava coisa melhor.
Michel Salomão