Uma certa Ana Morena

Na entrada da venda, com os cabelo quase todos dentro do chapéu já meio usado e com poeira da estrada, a conversa entre Jonato e Tiquim, que entrou encabulado, veio ouvir os conselhos do véio Sr. Zé Vicente.

Ele tava impressionado com a formosura que passava uns bons metro adiante.

Zé Vicente proseia:

“É assim ela oiando pra gente. Dum jeito que entortece o juízo. Nessas horas que a gente percebe que tinha um, mesmo que pouco, quando ela mira no fundo dos óio do caboclo, fica difícil dar prosseguimento reto da razão.

Quá peixe!

O cabra inté fica incomodado sem saber se é a fera ou a presa. Isso tudinho sem abrir conversa. Qual onça faceira vai se aproximando e sem atiná pro risco, já foi fisgado.

Os mais véio já tentô advertir, mas ela pega de surpresa, de modo que complica ter defesa.

Assim era Ana Morena. Trigueira de corpo, alma e andado. Nem se tem notícia de que alguém escapa sem deixá de regular bem das ideias. Pra quê! Esse negócio de matutá o tempo todo é coisa de gente que se acomete de entendedor das coisas do mundo e sai dizendo discurso por aí.

Quero ver o dia dos oiar se encontrar num caminho de uma mesma entrada e saída pra notar que nem tudo tá nos livro. Cai feito abeia no mé. Foi assim que procedeu com Seu João Rosa. Dizem que falava o nome dela junto com as trenheira da farmácia dele. Disconfio que procurava remédio para desinsoidecer. Coisa de gente sofisticado. Isso que dá se esbarrá nos óio de Ana Morena. Faz perder meio mundo.”

Glayson C. Marcelino

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