Os alarmistas de plantão estão em polvorosa, diante da possibilidade de um “Super El Niño” causar um terrível estrago em países da América do Sul, entre eles – e principalmente – o Brasil. Já não basta o desastre provocado pelo atual governo, e agora teremos que encarar tempestades, ciclones, destruição de lavouras, mortandade de peixes, o que poderá afetar toda a cadeia alimentar, lembrando que, em episódio similar ocorrido no século 19, morreram mais de 500 mil pessoas de fome neste continente, e os mesmos alarmistas de boca grande afirmam que desta vez será ainda pior.
Com um prazer quase sexual, atualizam diariamente os acontecimentos, carregando na dramaticidade quando falam de uma chuvinha que caiu aqui e ali, vendendo a ideia de que um grande dilúvio está por vir. Uma significativa parcela do jornalismo vive disso, pois é dessa maneira que ensinam nas escolas, que nem mais precisariam existir, porque um famoso órgão onipotente decidiu, há bem pouco tempo, pela desnecessidade de diploma para o exercício da livre expressão.
Mas agora essa mesma entidade onipresente quer regular a atividade que, em tese, poderia ser exercida por quaisquer cidadãos relativamente letrados, que, com o retrocesso promovido pelo órgão onisciente, poderão ser severamente incriminados no momento em que opinarem sobre assuntos que não se restrinjam ao teor meteorológico.
O jornalismo está vivendo o seu pior momento, reflexo da imbecilidade que vem tomando conta de uma significativa parcela da população, que em outubro vai às urnas para escolher os seus bandidos de estimação. Que venha El Niño.
Michel Salomão