Pétalas ao Chão

Tenho algumas horas para viver-te como a rosa que se despetala e vai perdendo a graça e a suavidade, e suas pétalas ao chão são tapetes que esperam o repouso dos teus pés.

Penso-te num breve momento da borboleta que paira no ar, parecendo um voo vazio de destino, porém artisticamente belo e cobrindo o ar de leveza num colorido único.

Quero silenciar-me e despedir-me aos poucos como a gota que orvalhou a vespertina e, mesmo que tema sair, pede o seu lugar ao sol que brilha ao amanhecer.

Sonho-te como quem dorme acordado, misturando ficção com realidade, prosa e poesia, deixando cerrar as pálpebras pesadas e despertando como se de tudo houvesse acontecido.

Amo-te aos poucos, pois esse pobre coração teme tanta emoção e precaver-se em não consumir todo o óleo do desejo para que não seja extinta a chama.

Buscar-te-ei até o fim do dia, que é a minha vida, para perdermos e reencontrarmos em nós e envelhecermos juntos como sinal da sabedoria que de nossas rugas obtivemos — a experiência ímpar na nossa trajetória.

Amar e ser amado com sinceridade e gozo na alma. 

Glayson Carneiro Marcelino

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