Moe e Larry: até os Patetas sabem

Ao assistir um episódio dos Três Patetas (The Three Stooges), em dado momento, Moe e Larry conversam à mesa:

Moe: Só imbecis têm certeza absoluta!

Larry, curioso: Tem certeza?

Moe responde, convicto e enfático: Claro!!

É impossível não rir… A piada da dupla (genial, a meu ver, em sua simplicidade), delineia perfeitamente o erro daqueles que afirmam categoricamente não haver “verdade”, mas consideram a afirmação uma verdade, e para piorar mais a situação, uma verdade absoluta. Moe expôs a si e seus pares, ao mesmo tempo, duas coisas:

1) De que estava a afirmar algo quando a sua afirmação dizia não haver algo afirmável ou conhecível. Ao sustentar a impossibilidade de se ter uma certeza absoluta, a própria declaração contradiz o teor do que se é afirmado. Há uma contradição que inviabiliza completamente todo o fundamento da reiteração, admitindo a sua própria ininteligibilidade, como um conceito auto insustentável. 

2) Quando diz ter certeza de que somente imbecis têm certeza, Moe se considera ao mesmo tempo imbecil e paradoxal, visto ser impossível ele manter a sua declaração “absoluta” sem dar um tiro no próprio pé.

No mundo pós-moderno, diria quase apocalíptico (ou seria um manicômio?), é impossível não nos defrontar com pessoas a bafejar nossos ouvidos com os seus primores de inteligência e sabedoria, e sair a arrotar, como se tivesse comido algo estragado, suas sandices e remelexos. É quase impossível não se deparar com “convictos” de não haver qualquer base para a certeza, não se deparar com sábios a negar qualquer sabedoria, muito menos não ser exposto aos “rigores absolutos” dos relativistas. Ou seja, o que vale para mim, não vale para você, pois se valesse para você, o que seria de mim?… Mas é assim mesmo; o arrogante naufraga na própria jactância.

Se existe gente que considera funk música, “Barbi” o melhor filme de todos os tempos, o atual presidente um homem ilibado, e o fracasso retumbante do sucesso, é bem provável que o jumento deixe de zurrar e comece a chamar todos de “cumpanhero”.

Jorge F. Isah

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