Alfarrábios da Alma

“Sou um misto de sentimentos”.

Afirmação mais óbvia que essa não há. Quem de nós não é um emaranhado de melancolia, frenesi, loucuras, amores e mais? Reformulando: sou um misto daquilo que vivi, vi e ouvi.

Outra afirmação completamente óbvia. Somos todos produto do fragmentado cotidiano, repleto de momentos, paisagens e cenas que são assistidas e escutadas, o tempo todo….

A última tentativa; prometo melhorar: sou um compilado dos autores que li. (Acho que agora consegui). Eu sou um misto de vários autores, principalmente os que mais derramaram suas melancolias sobre o papel. Tenho lido alguns clássicos ultimamente. Sou Florbela Espanca, poetisa portuguesa, e bebo da mesma água amarga que ela serviu aos seus contemporâneos; sou Alphonsus de  Guimaraens, simbolista, que me levou a pensar que estava à beira da loucura, ao ver Ismália se precipitando e enfim deixando o encontro entre alma e corpo acontecer. Que medo!

Sou Emily Dickinson, quando em seus versos, descubro a beleza de viver, mais em contraponto, às vezes sou Álvares de Azevedo, poeta brasileiro, e vejo que também podem existir bons frutos ao morrer.

Sou crítica como Oswald de Andrade, abaixo o português  gramaticalmente imposto! Que possamos nos expressar pela palavra da forma que quisermos, pô!

Sou também Olavo Bilac, que exalta a língua materna, e dela extraí aquilo que tem de melhor.

Sou esses e outros mais, quanto puderem imaginar. Sou até aquele que nem consigo mais nomear. Que sejamos todos um Frankenstein de bons escritores, isso é de uma riqueza absurda. Espero que um dia exista alguém que também seja um pouco eu.

Jéssica Fernandes

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