O filósofo mineiro Kafunga — se quiser conhecê-lo, peça socorro ao Google — dizia sempre que no Brasil o errado é o certo, e o certo, errado. Em seu tempo, as ideias pós-modernistas ainda não ganhavam as ruas e conversas no Mercado Central, entre porções de fígado acebolado, jiló e doses de Salinas. Hoje, é quase regra não existir certo e errado a não ser para o indivíduo — a verdade de cada um que pode ou não valer para o próximo. Não vou entrar em suas contradições, porque teria de escrever um tratado, mas se querem tanto enaltecer a pessoa, por que insistem desgraçadamente nos coletivismos, em pensamento único, e tiros a esmo?
As maluquices tupiniquins não param por aí.
Uma deputada defendeu no Congresso o aumento da alíquota de impostos para produtos masculinos, alegando “machismo” estrutural nos preços. Alegou um complô entre fabricantes, comerciantes e o governo para discriminar as mulheres e seus hábitos. Disse haver um “sexismo manufatural”, e considerava uma forma de preconceito das mais nojentas.
O que a deputada quer? Começar uma “guerra dos sexos” fiscal?
Outro dia, ocorreu o julgamento de uma mulher que assassinou, esquartejou e enterrou o marido no quintal.
Segundo as feministas, ela agiu em legítima defesa, pois todos os homens oprimem as mulheres com os seus autoritarismos e brutalidades. Alardearam o heroísmo, coragem e valentia da esposa em pôr fim aos abusos conjugais.
Vizinhos, amigos e parentes — até os da referida mulher — diziam que o falecido era bom, gentil e afável, fazia todas as vontades da cônjuge, tratando-a com mimos excessivos.
A “ass4ss1n4” conseguiu uma liminar, garantindo a proibição de acusá-la de homicídio e qualquer um de falar bem do falecido, sob pena de multa e prisão. Na sentença, a juíza não somente absolveu a mulher como condenou o marido à pena de morte já cumprida. Em apêndice, parabenizou a acusada por antecipar algo que o Tribunal faria, em nítida manifestação de agilizar os trâmites judiciais.
Foi homenageada com o nome de rua, a medalha de honra e mérito, um vale combustível e produtos caninos para sempre — não enquanto vivesse o seu Yorkshire, mas enquanto ela vivesse.
Não sei aonde este país vai dar, se com os burros n’água, ou com o poço vazio. Pelo andar da carruagem, passageiros e cocheiro puxarão o carro, enquanto os cavalos ocuparão a boleia, sem entender por que devem seguir tantos idiotas.
Jorge F. Isah