Este país é pródigo.
Em quase tudo que não presta. Talvez preste, ao menos para revelar o que não presta. E que, mesmo não prestando, ninguém se importa com o fato de que não preste. É como se houvesse um permanente eclipse. Onde a orla de luz não é suficiente para iluminar o resto, porque estão todos tão acostumados com a escuridão que não será um fachinho besta a dissipá-la.
No final, tudo só não estará no mesmo lugar porque o buraco é mais embaixo. E descer já não é opção, mas estado.
E as cicatrizes já não revelam o perigo dos ataques, mas o torpor de quem se acostumou a colecioná-las. Uma cauterização atrás da outra, sem a preocupação de estancar a ferida. Muito menos de curá-la.
Entra ano, sai ano, a toada é a mesma. Apenas mais barulhenta.
Como uma Makita cortando o último calço antes dos escombros.
Jorge F. Isah