Um amigo questionou as críticas que sempre faço a determinadas religiões na coluna “Papo Cristão”, pois esses “ataques” poderiam favorecer ao inimigo, vocês sabem de quem estou falando, esse que é o maior incentivador da dissensão. Respondi que a missão de todo seguidor de Jesus é proclamar o Evangelho da forma mais fiel possível, ao qual não é permitido distorcer o conteúdo da Bíblia.
Não posso, por conseguinte, professar a doutrina daquela mais famosa religião que, logo de cara, não observa o que está prescrito no primeiro mandamento. Tampouco, não me permito concordar com a deliberada alteração do quarto mandamento, nem apoiar a inclusão ou exclusão de preceitos essenciais, entre os quais os que Deus abomina, ignorando o que o nosso Mestre deliberou que nem um “til” haveria de ser alterado no livro sagrado. Não é questão de legalismo ou “ortodoxismo”, mas de simples obediência.
Da mesma forma, não posso concordar que passagens bíblicas sejam romanceadas, que falas sejam acrescentadas, bem como inseridos pensamentos não originariamente presentes no texto sagrado, por mais inspirados e belos que sejam.
Também não acredito que a salvação possa ser tão banalizada a ponto de um “aceite” à “filosofia” cristã funcionar como um contrato de adesão, sem direito a rescisão, com a salvação garantida, mesmo que o “crente” continue a pecar reiterada e deliberadamente, desconsiderando o que Jesus disse: “vá e não peques mais”.
Não estou falando de “pecadinhos”, mas de transgressões mais robustas como roubar e matar: um ladrão e um assassino que se arrependerem verdadeiramente e “nascerem de novo” poderão ser salvos, mas se continuarem roubando e matando, acho difícil que sejam poupados.
Não podemos, contudo, olvidar que Jesus nos ensinou que devemos perdoar (e ser perdoados) não sete, mas setenta vezes sete. Dá para entender? Não dá. Ou melhor, até que dá, mas é difícil de se levar à risca. É por isso que muitos cristãos preferem chutar o balde para assumirem o papel de hipócritas, fazendo cara de bonzinhos durante o culto.
Michel Salomão