MATO

Quem tem mais de 50 anos vai se lembrar de que, no passado, existia uma coisa que se chamava “mato”. As crianças de hoje não sabem o que é isso. É um punhado de árvores, arbustos, gramado, onde deveriam frequentar passarinhos de todos os tipos, gatos, cachorros, às vezes alguns gambás, cobras, formigas, muitas formigas, uma infinidade de mosquitos, aranhas, gafanhotos, cigarras, lagartos e lagartas, e mais um batalhão de bichos que esqueci de mencionar. Isso era “mato”.

Podia ser um matinho, restrito a um lote, ou um matagal, que era uma área de preservação, ou melhor, uma grande extensão de terras esquecida, onde ninguém ainda havia se animado a construir. Hoje em dia, praticamente todos os espaços das grandes metrópoles do país estão dominados pelo concreto. E os meninos não sabem subir em árvores. Mas sabem farmar aura.

Michel Salomão

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