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Quando vejo meu tempo acabando…
Sim…
Eu não me iludo.
Em 10 anos, quase 70.
E depois disso quase 80…
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Sim…
Quando vejo meu tempo acabando…
Percebo que estou adquirindo uma habilidade secreta.
Ver cada detalhe do dia.
Como se fosse a última vez que vou vê-lo.
Tem sido tão bom!
Eu sou eterno, eu sei…
Mas quero ter saudade lá na Eternidade…
De dias não desperdiçados.
Vividos lentamente, observando o surgimento de cada ruga da imperfeita mulher amada.
Observando o crescimento, agora lento, dos meus imperfeitos filhos perfeitos.
Relembrando o tom de voz de meu Pai, ouvindo sua voz gravada: “Natannnn!”
Relembrando das minhas visitas e conversas sem pé nem cabeça com a minha Mãe Miquita.
…
Recomendo!
Viva devagar!
Observe cada detalhe.
Porque o amanhã não importa tanto, se o hoje foi pleno de coisas pequeninas cheias de propósito.
E o propósito que elas têm, sou eu que dou…
E como meu tempo está acabando…
Eu atribuo a elas…
Toda a importância do mundo.
…
O último café…
A última coca zero estupidamente gelada…
O último docinho enrolado…
A última venda feita…
O último beijo, nela…
O último abraço dos meus filhos…
…
Quando tudo é vivido como se fosse a última vez…
A gente capricha em viver.
Não importa o quê.
É especial…
Pois pode ser a última.
Natan de Oliveira