Não me chamem de “pai de pet”, por favor. Acho ridículo. Criamos em nosso apartamento um exemplar da espécie canina, fêmea, sete anos, cor predominante preta, porte grande, quarenta quilos, super-dócil. Foi encontrada por minha esposa em uma caixa, na estrada, “esquecida” próxima a um restaurante, e resolveu resgatá-la. Ela me ligou para saber o que eu achava da ideia, e eu devia estar sonolento naquele momento, quando disse “ok”, e ela completou que não deveria crescer muito.
Chegando em casa, ao analisar aquelas patas enormes, o meu prognóstico foi no sentido de que ficaria MUITO grande. Acertei: era uma mestiça de pastor alemão e doberman, e em pé sobre duas patas fica quase da minha altura, eu com meus 1m85.
Não éramos marinheiros de primeira viagem. Tivemos três outros cachorros, os meus filhos adoravam, mas ainda faltava aprendermos muitas coisas acerca dessa relação maluca entre humanos e pets.
Só agora descobrimos que, para dar remédios em cápsulas para esses bichos, basta mergulhá-los em requeijão cremoso e pronto: vão lamber até o focinho, querendo mais. Antes, tentávamos envolvê-los em pedaços de pão, de carne, de frutas, mas eles sempre davam um jeito de comer ao redor e cuspir o remédio.
Aprendemos muitas coisas a respeito do humor, da necessidade de carinho, das brincadeiras, passando a entender, principalmente, o quanto somos bobos e carentes.
Também aprendemos que cachorro tem dermatologista, endocrinologista, cardiologista, oftalmologista e um monte de outros istas, e que esses profissionais cobram para consultas, exames e internações (e remédios) os mesmos preços cobrados de um ser humano. No passado, quando éramos crianças, quando o cachorro adoecia a gente dava um remédio roxo que servia para tudo e o bicho ficava bom.
O problema é que a passagem pelas nossas vidas é relativamente rápida. Crescem, amadurecem, envelhecem e morrem em um ritmo acelerado. Quando a gente menos espera, vão embora. E deixam aquele vazio muito vazio. Um dia seremos nós.