Manias todo mundo tem. A maioria das pessoas esconde, porque seria ridículo torná-las públicas. Tem (muita) gente que gosta de cutucar dentro do nariz com o dedo. Tem gente que enfia uma das mãos dentro das calças, dá uma coçada e cheira. Tem gente que dorme com um paninho colado ao nariz. Tem gente que rói as unhas. Tem gente que dorme com um copo de água, no criado, ao lado da cama. Essas são apenas algumas das manias mais comuns, mas existem outras muito mais bizarras.
Como surgem as manias? A repetição de uma determinada ação cria uma condição confortável, ao mesmo tempo em que desperta um sentimento de culpa e frustração, pois o maníaco sabe que sua atitude não é necessariamente normal. Ele tem consciência de que somente uma mente confusa é capaz de tais práticas, mas entende que isso lhe faz bem.
Mania de limpeza, de arrumação, de contagem, de verificação, de repetição, de acumulação (de lixo, principalmente), de doença, de arranhar a pele até sangrar, de arrancar pelos, de roubar pequenos objetos, são outras manias absolutamente comuns, que podem ser cultivadas por gente de nosso convívio sem que ao menos possamos desconfiar que façam isso.
Mas uma das mais manias mais desagradáveis de todas é a de grandeza, de superioridade, muito comum no meio jurídico, muito mais do que no meio político, artístico ou médico, capaz de desencadear na população um sentimento de repúdio, manifestando uma nova mania que há de ser a de lançar fezes sobre esses indivíduos.