ESCRAVIDÃO

Em recente visita à cidade de Ouro Preto (MG), conheci o Palácio D’oro, que, na verdade, não é um Palácio, mas um casarão bem reformado, explorado pela família de José Lucas de Toledo, que o adquiriu em 2008, quando iniciou as obras. Fomos muito bem orientados por um guia, que nos conduziu por cerca de uma hora e meia pelos ambientes internos e externos, com direito à visita a uma antiga mina de ouro. Ela é pequena e plana, mas já nos oferece um pouco da sensação claustrofóbica do que seria trabalhar em um lugar como esse.

O que mais me comoveu, contudo, foi ver os equipamentos usados para torturarem os escravos, além de conhecer os ambientes em que passavam a maior parte do tempo. Um deles era um cômodo absolutamente escuro, com paredes de pedras mofadas, sem janelas e com apenas duas pequenas passagens de ar de 15cm x 15cm, e uma pequena abertura no chão, por onde seus “donos” lhes forneciam a comida. Ver essas cenas em filmes e fotografias é uma coisa, mas pessoalmente dá para sentir toda a angústia de um passado tenebroso que significou o período da escravidão.

Eles trabalhavam nus para que não escondessem o pó de ouro em suas vestes, e ao final de um dia torturante de trabalho eram obrigados a se banharem em uma banheira, onde os restos do pó de ouro eram resgatados. E também dormiam nus, algumas vezes no chão molhado dessas minas.

É inadmissível que ainda hoje exista gente que acredita que possa explorar uma “raça inferior”, baseados na cor da pele. Essas pessoas deveriam ser submetidas a um estágio nesse lugar, com direito a hospedar-se durante alguns dias no tal cômodo de pedra, com os pés, mãos e pescoços presos por pesadas correntes, com uma única e nojenta refeição ao dia.

Michel Salomão

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