Sou de um tempo em que a palavra, após proferida, não poderia ser desfeita. Eram tempos de Daniel Boone, Zorro, 007 (o primeiro), Super-Homem, Homem-Aranha, Nacional Kid; de John Wayne, Cary Grant, Tyrone Power, Errol Flyn, Clark Gable, Clint Eastwood, Marlon Brando, todos bravos, fortes, másculos, homens de verdade. Mal sabíamos que alguns deles eram umas bibas loucas, mas a gente acreditava que eram indestrutíveis.
Brincávamos de soldadinhos de chumbo, forte apache, ranca, queimada, e éramos preparados para ser os provedores da família. Mas alguma coisa não deu certo. Hoje os homens estão mais sensíveis. Choram muito. Dividem as contas com as mulheres. Pedem pensão alimentícia.
Os homens iam para as guerras e defendiam a sua nação. Em um recente conflito bélico, um general passou por uma situação difícil quando deu o comando aos seus soldados:
– Avante!
– Aaaaaai, eu não vou atirar nesses caras… – disse um soldado – Seria um desperdício!
O mundo está polarizado. As pessoas se ofendem sob qualquer pretexto. Nem se pode mais escrever um artigo como esse, sob o risco de receber um processo por “atentado contra a segurança nacional”. Que “segurança” seria essa? Existe a possibilidade de deixá-los ainda mais inseguros, permanentemente inválidos, onerando demasiadamente o Estado. Preciso ser calado.
Michel Salomão