Conforme chegamos ao fim do ano, fazer uma retrospectiva é como passar um filme diante dos olhos. Em uma pequena reflexão, eis a pergunta: que impressão fica do ano? Se o seu nível de energia fosse um recipiente, tente imaginar se ele estaria cheio, pela metade ou vazio.
Diante das mais diversas demandas, muitas vezes podemos sentir nosso vigor espiritual e físico sendo drenado. Porém, não é preciso chegar ao ponto do esgotamento para forçosamente frear esse ciclo. Mais ainda, certamente todos temos pessoas que dependem de nós. Quando não estamos bem, alguém sente o peso da ausência, seja em casa ou no trabalho. Por isso, cuidar de si mesmo é de grande importância.
Retomando a metáfora do recipiente, recompor as energias é como encher um balde. Numa brincadeira de palavras, é des-cansar. Uma vida no escritório, sob estresse mental, porém tranquilamente sentados, pode nos fazer perder a conexão que existe entre tensão e relaxamento, tão vital para a saúde. Quem realiza trabalho físico sente isso na pele. É enchendo o balde que somos capazes de dar nosso melhor para as pessoas à nossa volta. Isso não é um ato único, mas contínuo, assim como dependemos de água e alimento físico. Descansar uma vez por semana, um mês ao ano, um ano sabático, isso é bom. Fundamental, porém, é cuidar a cada dia para que o balde não seque.
O segredo para chegar a esses momentos de descanso todos os dias é delimitar fronteiras. Priorizar momentos para descanso e reflexão em detrimento de distrações e compromissos concorrentes que tentam “invadir” espaços na agenda contribui para um equilíbrio. Como diz Eugene Peterson em seu livro “The Gift: Reflections on Christian Ministry”: “O truque está em anotar certas coisas na minha agenda antes que outros o façam por mim. Portanto, estabeleço momentos para orar, ler, relaxar, para quietude e solitude.” De certo modo, isso significa colocar-se numa postura de proteger o próprio ser. Dentro dessas “fronteiras”, é possível abastecer-se.
Já pensou em ver seu balde transbordando de fé, força e alegria para as pessoas à sua volta? Tudo começa com a primeira gota no balde…
Débora Rempel