PAIXÃO! PAIXÃO!

(Para quem não me conhece, esse era o meu nome antes do batismo, quando uma irmã mais velha, disse: “Já tem muita Maria na família” e, autoritariamente, mudou o meu nome.)
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— Paixão! Paixão! Cadê você? Onde você está? O tempo está mudando, parece que vem uma chuva!

— Abra os tambores para aproveitar a água da chuva, que cai na calha vinda do telhado.

— Sim, mamãe! Sim, senhora…

— Mamãe, estava aqui pensando em uma história que a professora contou na aula (naquele tempo, a escola fundamental se chamava “grupo esfolar”, quem está comigo?  )

— Agora, Paixão, você começou a pensar… (rindo). O que você pensou, Paixão?

— Mamãe, eu pensei como é que é separar a realidade da fantasia.

— Paixão, não é difícil de explicar (lembrando que minha mãe nunca foi a uma escola. Era completamente analfabeta, mas, diferente de tantos “doutores” de hoje, sábia.).

Ainda, mamãe:

— Você sabe que nós somos pobres, muito pobres, pagamos aluguel e outras despesas, mal sobrando para comermos. Isso é uma realidade. A fantasia é você viver achando que você é uma coisa que você não é (risos novamente).

— Quer dizer que eu não posso ter um dia as coisas que não tenho hoje?

— Não, Paixão, não é isso. Você pode sonhar, lutar, vencer e conseguir realizar os seus sonhos. Mas a fantasia não pode tomar na sua mente o lugar da sua realidade momentânea. Pois tudo pode mudar. Entretanto, toda mudança tem um limite e, ao final, um dia tudo acaba para o pobre, para o rico, para o estudado, para quem não estudou, para todos. Afinal, tudo o que a gente tem, é emprestado. Tudo vai ficar aqui, para outras pessoas. Tudo o que temos para fazer é viver a realidade e não perder de vista a fantasia, o sonho, a esperança.

Rosemere Gomes

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