Eu odeio Belo Horizonte! Odeio! ODEIO! Nasci aqui e já gostei, mas isso foi nos anos 1960, 1970, até meados de 1980, quando ainda era possível circular pela cidade, mas BH cresceu demais, principalmente no seu entorno, e ficou tudo represado, os congestionamentos de automóveis se tornaram insuportáveis, os assaltos são frequentes e quase não existem boas opções de lazer. Ah, mas tem os milhares de bares… só que não bebo mais álcool, por conta da religião e da velhice, e acredito que existem muitas pessoas que são como eu.
Cinemas? Somente nos shoppings e, assim mesmo, com cinco ou seis filmes em cartaz, repetidos em todos eles. Teatros? Esqueça. Vez ou outra vem algum artista famoso de fora, quase sempre do stand-up, mas aí os preços são altíssimos e os ingressos acabam rápido.
Se você quiser passear pela orla da Pampulha corre o risco de ser assaltado, atropelado por uma bicicleta ou contrair aquela doença transmitida pelos carrapatos-estrelas, que parasitam as capivaras.
Mas também tem o Parque das Mangabeiras, em cujas matas você pode encontrar alguma “surpresa” armada, além do Parque Municipal (idem). Existem ainda outros raros e tristes parques, quase sempre com a manutenção precária.
Belo Horizonte é rodeada de favelas. Ah, esqueci, não se pode falar assim: são “comunidades”. Os prefeitos, independente do partido, prometem maravilhas, mas nada fazem para melhorar a vida dessa população. E também não se preocupam em regulamentar as novas ocupações, e elas vão tomando conta de todos os cenários da cidade. Também impressiona o aumento do número de moradores de ruas, que se aglomeram principalmente na área central.
Andar de carro em BH é uma tortura. As quadras, geralmente, possuem 200 metros e existem semáforos em quase todas elas, com os sistemas de fechamento e abertura descoordenados. Resultado: num intervalo de um quilômetro, você poderá ter que parar cinco vezes, de vinte segundos a um minuto cada. Em todos eles você encontrará vendedores, pedintes e, às vezes, assaltantes, disfarçados de vendedores e pedintes.
O sistema de transportes públicos é ineficiente, o metrô de superfície é uma piada e o trânsito é caótico. Em horários de pico, é comum o motorista ficar parado no mesmo lugar por até meia hora, às vezes mais. Por conta dessa lerdeza, muitos motoristas daqui avançam semáforos, param na faixa de pedestres, fazem conversão proibida, mudam de pista sem dar seta e desrespeitam a velocidade máxima (quando isso é possível) o que resulta em muitos acidentes, alguns graves, além de prejuízos com lanternagem e pintura.
Quer estacionar? Desista! Em muitos bairros, terá que dar voltas e mais voltas, e com muita sorte encontrará uma vaga, mas terá que pagar uma taxa para o proprietário do local. Sim, as ruas de BH possuem donos, os famosos “flanelinhas”, e quase sempre trazem consigo uma tornozeleira para identificá-los. E quem não pagar o que eles pedem terá a pintura do seu possante danificada. Esse “tributo” independe do pagamento da famosa “faixa azul”, que é o sistema rotativo de extorsão inventado pela Prefeitura para arrecadar fortunas sem nada oferecer em troca ao usuário.
Ah, as enchentes… em BH não pode chover. Ou melhor, pode: mas assegure-se de ter guardado em sua casa um barco ou bote inflável, pois somente assim poderá se locomover nesses dias. Na foto abaixo você poderá verificar os estragos que causam nos asfaltos que mais parecem casquinhas de sorvetes.
Esqueci de falar do Minaxxxx. É o nome do “Minas Tênis Clube”, mas quem é sócio desse clube frequentado pela “nata” da população belorizontina fala com um “x” carregado, por achar que é mais chique. Se você não é sócio do Minaxxxx, esqueça. Contudo, se tiver a sorte de ser um dos membros agraciados, depois de parcelar o valor da cota em até 360 vezes com juros, terá que obedecer as regras do local, de nunca repetir a roupa de ginástica, de sempre alternar os tênis, que só podem ser daquelas marcas bem caras, e nas festas do clube nunca se esquecer de reservar um vestido longo ou um smoking, pois isso conta ponto.
Alguns leitores dirão “mas que exagero”, e tentarão argumentar que existem muitos museus, igrejas e o Mercado Central, mas o que estou dizendo é a mais pura verdade. Já que é assim, vamos falar do Mercado Central: é grande, possui mais lojas do que o de São Paulo, que é o melhor do país. Contudo, você vai encontrar poucas opções interessantes além das bancas de queijos, panelas, açougues e uma ou outra loja de artesanato. Frutas e verduras que deveriam justificar o nome “mercado” quase não tem. Mas tem muitos bares. E disso o povo gosta. Eu odeio! Odeio! ODEIO!
Respostas de 2
Brilhante.
Descrição perfeita da realidade que é BH.
Muito bom, infelizmente a descrição do que é BH está perfeita, resumindo, uma bosta.