SANTANA DO PARNAÍBA E BARTOLOMEU

Semana passada, estive em Santana do Parnaíba, uma viagem curta, pouco mais de uma hora de São Paulo. Gosto muito de cidades históricas e da arquitetura barroca, então, ao saber que ela era a “Ouro Preto paulista”, animei-me. Porém, está longe, muito longe, de ser a Ouro Preto de qualquer lugar — quanto mais se comparar com a de Minas.

É uma cidade bucólica, silenciosa e quase deserta. Minha esposa, que gosta de “frenesi”, não via a hora de sair do plácido lugarejo. Para mim, era quase o paraíso diante do inferno incandescente da Capital.

Estranho que, para um local turístico, a Matriz da cidade estivesse fechada. De locais históricos, além de alguns quarteirões de casas coloniais, apenas o “Casarão do Monsenhor Camargo” estava aberto ao público. Nada mais. Em algumas dezenas de minutos, vimos o que tinha para ver, e ponto final.

Hora de comer.

Ao lado da Matriz, Praça Quatorze de Julho, havia alguns bares e restaurantes. Quase nenhum movimento, a não ser no Bartolomeu. Minha esposa disse que, pela pintura ser laranja — enquanto os demais eram em tons pastel — a cor provavelmente era mais chamativa do que a comida. Eu ri. E, talvez, ela estivesse certa.

Entramos.

O lugar era sóbrio, amplo, praticamente tudo em madeira, uma música pop ao fundo (em volume aceitável), e a decoração remetia ao passado. O cardápio não era um catálogo telefônico — para quem se lembra — mas tinha várias opções. Os preços me pareceram justos. Pedimos costeletas de porco, acompanhadas de couve, tropeiro e tutu. Não entendi a inclusão de batata assada. Não tinha nada a ver com um prato tão rústico e “ancestrálico”. As costelas estavam ótimas, no ponto certo, no tempero certo. Nota 10. Mas, para um mineiro como eu, me ver diante de um tropeiro com farinha, pedaços de calabresa e ovos mexidos, nada mais surreal. O tutu era o feijão carioquinha bem cozido e levemente amassado — muito levemente. No geral, daria uma nota 7. Certamente, pela qualidade da carne mais do que os acompanhamentos e o “planejamento” do prato.

Pedi um café “espresso”. A qualidade era ruim. Amargo, muito amargo. Parecia marca de supermercado. E por R$ 8,00 a xícara pequena, me pareceu absurdo.

No geral, foi um bom domingo nublado. Um passeio rápido e lúdico.

Mas o Rio Tietê e seu cheiro insuportavelmente desagradável permeou a ida e a volta, e se fazia ainda mais inexorável quando entramos em São Paulo.

Se vale a pena conhecer Santana do Parnaíba? Sim, claro. Não vá esperando encontrar algo como as cidades históricas mineiras, nem a mesma culinária, mas é um local onde se pode fugir da balbúrdia sonora e visual da Metrópole, a apenas alguns quilômetros de distância.

Sem precisar vender um rim.

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