TEMPLOS DE ENTRETENIMENTO

Grande parte das igrejas denominadas cristãs estão mais empenhadas com o entretenimento do que fazerem cumprir o que Jesus determinou a seus discípulos: “vão e façam discípulos pelo mundo”. Ele não disse para os seus seguidores ficarem presos a templos como se fossem “clubes de lazer”, para se reunirem uma, duas, três ou mais vezes por semana, a fim de escutarem músicas religiosas (e não necessariamente louvores) e sermões que mais se assemelham a “auto ajuda”, capazes de proporcionar uma espécie de “terapia coletiva”, para aliviar as tensões do cotidiano.

Jesus não prometeu vida fácil para ninguém. Pelo contrário: disse que o “bicho” iria pegar. Não com essas palavras, é claro, mas o “bicho” está mesmo aí, à espreita, pronto para enganar, roubar e matar, enquanto os “religiosos de carteirinha” batem o seu cartão de ponto em seus templos de conveniência, sustentados com generosas quantias, sem que prestem a esperada assistência aos necessitados, direcionadas ao sustento de seus líderes e à estrutura física dessas edificações.

Nem todos os “fiéis” serão salvos, nem mesmo serão curados, tampouco verão milagres, em razão de sua incredulidade que só se atenta à correria do cotidiano.

Muitos falarão “línguas estranhas” de forma desnecessária e exibicionista, assim como faziam no tempo do apóstolo Paulo. Nem todos os demônios serão expulsos, e continuarão espalhados pelas ruas, no comércio, nas repartições públicas, no interior das casas e até mesmo nas igrejas, e muita gente é capaz de banalizar essa presença nefasta, achando natural conviver com eles e até admirá-los.

Mas estamos caminhando para o fim, o que muitos propositalmente ignoram, assim como ignoraram os contemporâneos de Noé, ao ridicularizarem a sua Arca. Muitos serão chamados. Poucos serão escolhidos. Espero que estejamos entre essa minoria.

Michel Salomão

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