Eu não sei se foi Fante, Kerouac, Hemingway, Bukowski ou Miller que escreveu sobre a agonia de um escritor diante de uma crise de criatividade, plantado na frente de uma velha máquina de escrever, com o chão repleto de papéis amassados, e eu tinha medo que um dia acontecesse comigo, mas para um cronista é muito mais fácil o processo de criação, pois, para quem não sabe, as crônicas abordam acontecimentos do cotidiano, sem se aprofundar em nada, com os textos geralmente curtos.
Obviamente, eu gostaria de escrever coisas fantásticas como “Cem Anos de Solidão”, de Gabriel Garcia Márquez, e por conta disso ganhar passagens aéreas, diárias de hotéis e restaurantes para receber prêmios em outras cidades e países, mas hoje eu já me contentaria se as pessoas ao menos lessem as coisas que escrevo.
Uma crônica pode abordar o episódio de um vendedor de balas que entra no metrô e fala coisas malucas, sobre a briga de dois bebuns na frente de um bar ou sobre a fofoqueira da rua que fica na janela olhando a vizinhança, com o cronista tirando disso humor, uma crítica social ou uma mensagem interessante. Também poderá ser apenas o início de uma trama que se desenvolverá com a entrada e saída de novos personagens, com a existência de um “clímax” e um desfecho criativo, mas aí já estamos tratando de um conto, de uma novela ou romance.
Sempre incentivo as pessoas a escreverem qualquer coisa que seja, mesmo que aparentemente sem atrativos, pois existe leitor para todos os tipos de assuntos. Existem, até mesmo, aficionados leitores de bulas de remédio. Mas a Revista Bulunga ninguém lê…