Muitos humoristas são melancólicos. Chico Anysio poderia ser citado como um grande exemplo. Ele era um monstro do humor, mas não era capaz de esconder o seu desalento fora do alcance das câmeras. Quem se lembra do “Seu Mazarito”, interpretado pelo inesquecível Costinha, na extinta “Escolinha do Professor Raimindo”? Fora do personagem não tinha nenhuma graça, era fechadão e mal humorado.
Entre os estrangeiros, não podemos esquecer Charles
Chaplin, Harold Lloyd, Curly (de “Os Três Patetas”) e Peter Sellers: todos tristes.
Pouquíssimos conseguiriam ser cômicos em tempo integral, como acontecia com Ronald Golias e Mussum, ou mesmo com o ex-engraçado Tiririca, mas mesmo esses tinham as suas esquisitices fora de cena.
Para esses, o humor parece funcionar como uma fuga momentânea da depressão. Muitos conseguem, mas outros sucumbem aos seus fantasmas interiores, a exemplo do fantástico Robin Williams, que abreviou sua vida em uma de suas crises. Ou Fausto Fanti, o talentosíssimo fundador do grupo Hermes e Renato, que desistiu de viver prematuramente.
Michel Salomão