Aquele ditado, “o último a sair, apague a luz” nunca foi tão falso. Por aqui, a energia foi cortada há tempos e na escuridão as pessoas trombam umas nas outras e batem as cabeças nas paredes.
Aquela máxima positivista da bandeira “Ordem e Progresso” não serve nem de lembrança. A “ordem” está em análise. E o “progresso” depende de aprovação do órgão competente. Para muitos, a CBF, a Globo e o Bombril estão ali desde 1889. A depender do gosto de cada um.
Aquela Brasília que toca fogo no país, mas onde os bombeiros trabalham dia e noite para apagar os seus incêndios, é o “Abre-te, Sésamo!”. Uns chegam com o fósforo em uma mão e uma mangueira na outra — nunca se sabe de onde virá a oportunidade.
Este é o país do futuro, diriam os ufanistas. Mas do futuro do pretérito. E se pretérito, sem futuro. Por isso, tudo aqui é condicional, a depender das condições de quem dá e exige favores.
Este é o país da justiça, diria o distraído. Que se lembra apenas do bolo de chocolate do último aniversário. Que o digam a Ortobom, a Oxxo e a CBTU — exemplos de como o Estado é pródigo em criar o problema, arbitrar a solução e ainda aparecer para receber a conta. Um Robin Hood ao contrário, mas com Diário Oficial.
As várias condenações por danos morais coletivos que, via de regra, não vão para ninguém específico — um contrassenso dos diabos. Mas o que tem o diabo com isso? Se as moedas continuam a tilintar nos cofres? Até o inferno emite recibo.
Este é o país onde: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come… Bem, você entendeu. Por aqui, se tem sempre um alvo às costas, seja dos bandidos institucionais, seja dos bandidos legitimados por aqueles. Ninguém é doido de reclamar de tanta diversidade.
No fim das contas, “viva o 7 de setembro”.
Sem perguntas, para não estragar o feriado.
Com direito a paradas, discursos e a célebre frase decantada de norte a sul, de leste a oeste: “Independência ou Morte”!
Não, não é escolha, mas certeza.
De estarmos fadados à promessa da segunda oração coordenada alternativa.
Sem a opção da primeira.
Jorge F. Isah