Tempos de CRIANÇA

Quando eu era criança, entre os 7 e 12 anos, não mais do que isso, o meu pai nos levava para ver os festejos da padroeira de Vera Cruz de Minas, cidade onde ele nasceu e o meu avô José Turco se estabeleceu, que ficava a pouca distância de Belo Horizonte, Capital de Minas Gerais. Naqueles tempos, parecia que ficava um pouco além do fim do mundo, pois íamos numa Kombi velha que chacoalhava durante todo o percurso, e vez ou outra quebrava no meio do caminho.

Era uma rara oportunidade para ficar solto, pois naquela época meus pais já eram paranoicos com os perigos da Capital, e não queriam que fôssemos capturados para virarmos sabão.

Mal o carro estacionava e já saía correndo para encontrar os primos, e a primeira coisa que fazíamos era subir o morro até a igrejinha, para depois visitarmos o cemitério, onde ficávamos contando nossas “histórias de assombração”.

Mas o que mais gostava era de comer a “fatia”, uma mistura de pão, biscoito e bolo, feito em grandes tabuleiros, que era fatiada (daí o nome) para os visitantes “forrarem o estômago” antes do almoço. Eu comia vários pedaços, acompanhados de uma caneca de leite fervido com açúcar queimado e canela.

Era uma infância pobre, inocente e sem muitos atrativos, mas aqueles passeios não nos permitiam adivinhar o futuro e entender que alguns de nós venceriam, enquanto outros perderiam; alguns se casariam, teriam filhos e seriam felizes ou não; outros ficariam gordos, loucos, ou morreriam prematuramente, e que as novas gerações não repetiriam essas tradições.

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