O preço da VIRGINDADE

Quando eu era menino…

Eu amava minha Mãe Miquita…

E ela me dizia…

Espera em Deus…

E eu acreditei…

Sempre acreditei…

Anos depois…

Menino adolescente já…

Muito magro naquela época…

E com um certo charme…

Quando ela percebeu que uma menina queria namorar comigo…

Ela disse pra mim: “Criança não namora”…

E eu esperei…

O tempo passou, fiquei jovem…

E ela disse: “Namorar só pode se for com a intenção de casar”…

E eu novamente esperei…

O tempo passou e eu fiquei adulto, mas sem um tostão no bolso…

E ela disse: “Beijo é como ferro elétrico, liga em cima, esquenta embaixo, não podes defraudar a intimidade da moça se não tens condições de constituir uma família”…

Esperei mais um pouco…

De tal forma que um dia eu estava com 23 anos e nunca tinha namorado ninguém…

Acreditando nos ensinamentos da minha Mãe…

Esperando que um dia Deus enviaria a pessoa certa pra mim…

Até que um dia eu a encontrei…

Ela era linda, clássica, e parecia ter os mesmos valores que eu tinha…

Totalmente inexperiente…

Eu não sabia beijar, nem abraçar, nem absolutamente nada, sabia escrever apenas…

Eu fui aos poucos descobrindo como agir…

Um passo de namoro de cada vez…

Logo no começo do namoro…

Meus Pais fariam uma viagem e eu a convidei para ir junto conosco…

Eu já tinha um fusquinha 67 na época…

Subíamos a serra de Paranaguá em direção à Curitiba…

Escuridão total…

Apenas se ouvia o motor 1300 do fusquinha valentemente deslizando pela estrada…

No banco de trás, meu finado Pai José e minha Mãe Miquita…

No banco da frente, eu ao volante, ao meu lado minha primeira namorada, e naquela época não havia legislação a respeito, de tal forma que meu primo de 6 anos ia sentado no seu colo…

Eu então pensei…

Vai ser hoje…

Tantos anos sem fazer nenhuma arte…

Eu pensei, vou usar a escuridão a meu favor…

Duvido que ela vá fazer alguma coisa…

Afinal eu tinha seguido todas as regras religiosas e morais por tanto tempo, agora era a minha oportunidade…

Então naquela escuridão do fusquinha…

Discretamente eu vou e passo a mão nela, tocando os joelhos e subindo devagar e discretamente pela coxa por alguns deliciosos centímetros…

Após minha safadeza…

Continuei olhando impassível para a frente…

Silêncio absoluto…

Aguardo a reação dela…

E ela minha linda namorada não diz nem um “pio” sequer…

Eu então passo a sorrir sozinho ao volante…

Feliz da vida…

Finalmente me sentindo homem…

Másculo…

Corajoso…

Faltava espaço na minha boca…

Para tantos dentes que no silêncio sorriam arreganhados em felicidade plena…

Foi então que numa voz doce e suave…

De um menino, ainda de 6 anos…

Meu primo Alexandre disse:

“Oh Natannnn… Você não passou a mão na tua namorada… Você passou a mão FOI NA MINHA PERNA!!!!”

O meu mundo desabou dentro daquele pequeno Fusca 1967…

Todos caíram na maior gargalhada…

Ela, minha namorada inclusive…

E eu rindo de panaca sem saber o que dizer da minha total falta de experiência…

Indescritível foi a cena…

Pois foi tão patético, que não há palavras para descrever minha vergonha…

Que depois ao chegarmos em Curitiba…

Foi contada para todos e todos, até não haver mais ninguém para rir de mim…

Tudo culpa da minha Mãe…

Que raiva…!

Mas no final das contas…

Casamos.

Então hoje, mais experiente…

Posso dizer que já sei beijar…

Já sei distinguir a diferença entre a coxa de uma mulher da de um menino de 6 anos…

E posso dizer que mesmo para os muito tímidos como eu fui…

Tudo tem o seu tempo…

A vida é encantadora mesmo assim…

Já é bem tarde da noite…

E eu vou lá deitar e dormir…

E abraçar aquela que foi a minha primeira namorada…

E que hoje após 33 anos é a minha esposa…

E vou suavemente para que ela não acorde…

Vou passar a mão na sua perna, subindo devagar e discretamente pela coxa por alguns deliciosos centímetros…

A emoção é a mesma…

Volto por uns instantes a ser aquele jovem magrelo e ousado…

E eu ainda consigo me sentir…

Másculo, feliz e grato por tudo…

E antes de sucumbir ao sono…

Vou relembrar de tudo e rir…

Natan de Oliveira

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