Entrevista com um PROGRESSISTA

Nosso entrevistado pode ser facilmente identificado onde quer que vá, com a sua invariável camiseta com as cores do arco-íris, calça jeans desbotada, sandálias de couro trançado com um pequeno salto, colete de crochê, boné de feltro preto e bolsa em tecido a tiracolo. Ele usa barba e cabelos desgrenhados, exibindo os primeiros fios brancos, e na boca uma leve camada de batom vermelho. Está há 10 anos cursando a Faculdade de Sociologia e é sustentado pelos pais, pertencentes à classe média alta. Faz parte do Diretório Acadêmico e pretende se candidatar a vereador nas próximas eleições.

BULUNGA – O que é ser um progressista?

PROGRESSISTA – O progressista é um cara que quer desconstruir, inovar, revolucionar, ter uma vida boa, tranquila, sem encheção de saco. O progressista quer liberdade total para SER O QUE QUISER e FAZER O QUE BEM ENTENDER. Se der vontade de cagar na rua ele caga…

BULUNGA – Dá para perceber que vocês são capazes de exercer um importante papel social…

PROGRESSISTA – Sei que você está sendo irônico, mas é preciso reagir a essa tentativa conservacionista da direita de implantar uma DITADURA de costumes, sexo, religião, economia e política.

BULUNGA – Mas os progressistas não tem feito exatamente a mesma coisa? Querem instaurar uma ditadura da ESQUERDA, para combater uma hipotética ditadura da DIREITA…

PROGRESSISTA – Aí você está me confundindo. Tenho que pedir ajuda à Inteligência Artificial.

BULUNGA – Os Estados Unidos da América se tornou uma nação progressista, elegendo presidentes como Jimmy Carter, Bill Clinton, Barack Obama e Joe Biden, com um pequeno intervalo para George Bush e Donald Trump, ambos Republicanos. Com esses desacertos da guerra contra o Irã, é possível prever que os Democratas devem voltar com força total ao poder. E os russos e os chineses vão ganhando terreno. Será o fim do “American Dream”?

PROGRESSISTA – Yankees, go home! O lance agora é o Chinese Dream e o Russian Dream.

BULUNGA – Maravilha! Mas você pode não estar levando em conta que os dirigentes daquelas nações não são necessariamente “liberais”, e que, na verdade, são ferozes ditadores que utilizam a escravidão para atingirem seus objetivos econômicos. O que nem sempre dá certo: a situação desses países está de mal a pior e podem quebrar a qualquer momento.

PROGRESSISTA – Ah, isso tudo é intriga da oposição. A gente tem que respeitar a soberania daqueles povos. E se o povo quiser mudar, basta escolher outro sistema de governo através do voto.

BULUNGA – As eleições nesses países são abertamente manipuladas, isso quando tem eleições. Na maioria das vezes, há apenas um único candidato, e ainda assim o povo é obrigado a votar nele. Se não votar, morre.

PROGRESSISTA – Democracia é assim mesmo. Normal.

BULUNGA – Você conhece o significado de “democracia”?

PROGRESSISTA – Prefixo “demo”, de demônio. Sufixo “cracia”, governo. É o “governo do capeta”. Maior maneiro, brother!

BULUNGA – Por falar nisso, por quê os progressistas odeiam tanto as religiões?

PROGRESSISTA – Não odiamos. Defendemos um Estado laico.

BULUNGA – Estado laico é aquele que respeita todos os tipos de manifestações da fé. Os progressistas, na verdade, combatem as religiões, porque são capazes de tirar o foco de seus líderes, que precisam ser adorados como se fossem verdadeiros deuses.

PROGRESSISTA – Isto não é verdade!

BULUNGA – Os seus líderes são uns corruptos, canalhas e assassinos.

PROGRESSISTA – Você vai para o INFERNO por ter falado essas coisas.

BULUNGA – Não disse? Estava apenas testando…

PROGRESSISTA – Assim não vale. Fui pego de surpresa. Vamos mudar o assunto.

BULUNGA – Os progressistas se apoiam no socialismo e se associam a regimes fundamentalistas que são totalmente contrários à liberdade das mulheres, aos direitos dos negros e dos homossexuais, e os perseguem, os violentam e os matam deliberadamente. Isso não seria um tanto contraditório?

PROGRESSISTA – Temos que nos unir contra o imperialismo capitalista.

BULUNGA – O que isso tem a ver com o que estávamos falando?

PROGRESSISTA – A gente precisa juntar nossas forças com quem quer que seja para podermos derrotar o capitalismo, responsável por toda essa violência no mundo. Depois se pensa em outra estratégia.

BULUNGA – Isto é absolutamente idiota. Vocês apoiam o socialismo, que romanceia a pobreza, mas não abrem mão do conforto e do luxo proporcionado pelo capitalismo. Você já leu Karl Marx?

PROGRESSISTA – Ah, eu não gosto muito de ler. Só vejo vídeos na internet, e mesmo assim não podem ser muito longos. Se passar de uns 15 segundos já dá para cansar.

BULUNGA – Por quê os progressistas sentem tanta admiração pelos bandidos?

PROGRESSISTAS – Os bandidos são vítimas de uma sociedade gananciosa que tirou deles a possibilidade de realizar os seus sonhos.

BULUNGA – Para terem o que sonhavam não bastaria TRABALHAR?

PROGRESSISTA – Ninguém consegue enriquecer trabalhando. É pura ilusão.

BULUNGA – Se todo mundo sair roubando não vai sobrar nada. Quem vai produzir para o dinheiro circular, nesse intervalo?

PROGRESSISTA – O Estado tem muito dinheiro. É só imprimir mais moeda.

BULUNGA – Todos vivendo por conta do Estado… Você daria um ótimo Ministro da Economia, neste atual governo.

PROGRESSISTA – Obrigado, cara. Valeu! A princípio, pensei que você não tinha ido com a minha cara.

BULUNGA – Estava analisando os seus vídeos na internet, as suas roupas, as suas dancinhas, o seu desprezo pelas mulheres. Você se considera gay?

PROGRESSISTA – Tá me estranhando, camarada? Eu gosto é de mulher. Mas se um fresco vier dando mole pra mim eu passo o rodo, pra mostrar para ele quem é o macho do pedaço.

BULUNGA – Não fico nada surpreso…

PROGRESSISTA – O que você disse?

BULUNGA – Nada não. E quais são as demais reinvindicações dos progressistas?

PROGRESSISTA – Tem que liberar esse negócio de banheiro. É tudo misturado! E também não tem nada a ver esse lance de prender os caras que pegam criança menor de quatorze: tem menina com 12, no funk, rebolando até o chão. Deu moleza, passa pra dentro. Droga: tem que liberar tudo. O cara quer ficar doidão? Tá limpo. Deixa ele se divertir. Aborto: tem que liberar. A mulher esqueceu de tomar as coisas, o cara não levou a borrachinha? põe pra fora. Além do mais, o corpo da mulher, depois que tem filho, fica todo arrebentado. Deixa ela escolher. E pra finalizar, tem que acabar com esse negócio de prender os manos por pequenos furtos. O sujeito, às vezes, quer levar um celular do vacilão só pra tomar uma cervejinha. Deixa ir…

BULUNGA – O bom é que você sabe fundamentar as suas pautas…

PROGRESSISTA – “O povo unido jamais será vencido! O povo unido jamais será vencido!”

BULUNGA – Nas últimas eleições o povo se uniu, mas acabou perdendo. O que você diz sobre isso?

PROGRESSISTA – Uma eleição não se vence: se toma… yeeeah!

BULUNGA – Com isso você parece afirmar que os fins justificam os meios. É o que pensam os socialistas, seus “companheiros”.

PROGRESSISTA – É isso aí! É isso aí!

BULUNGA – Você tem mais alguma coisa a dizer para os leitores da Revista Bulunga?

PROGRESSISTA – Gostei desse gravador aí: passa pra cá!

BULUNGA – Mas ele é o meu instrumento de trabalho. Não posso ficar sem ele…

PROGRESSISTA – Não interessa: perdeu, mané. E me passa o relógio também.

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